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Dólar sobe e acumula ganhos de quase 2% na semana

Aumento do risco político fez com que moeda avançasse, encerrando a semana cotada a R$ 3,47; mesmo terminando o pregão em alta, Bovespa caiu mais de 2% na semana

Lucas Hirata, Denise Abarca, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2016 | 17h46

O dólar comercial à vista fechou em alta de 0,14% nesta sexta-feira, 2, aos R$ 3,4718. Na semana, a moeda acumula ganhos de 1,89% com o aumento do risco no cenário político, apesar do avanço de medidas de ajuste fiscal no Congresso. "Os investidores se resguardam e o mercado está muito sensível ao noticiário político", afirmou um operador ao Broadcast, sistema de informações em tempo real do Grupo Estado.

O cenário também afetou os negócios na Bolsa que, mesmo encerrando o pregão em alta de 1,36%, aos 60.316,12 pontos, terminou a semana em queda de 2,02%.

A aprovação da PEC do Teto de Gastos no primeiro turno de votação no Senado deu ânimo a investidores, porém a tramitação do pacote anticorrupção, o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que tornou Renan Calheiros réu por peculato e a assinatura do acordo de leniência da Odebrecht motivam a cautela.

Cabe ressaltar que durante grande parte do período vespertino o dólar operou em baixa com ajuda da atuação do Banco Central no câmbio e pela perspectiva de que o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos pode não ser tão agressivo.

Hoje, o Banco Central iniciou a rolagem dos contratos de swap cambial que venceriam em janeiro. A autoridade monetária vendeu 15 mil contratos (US$ 750 milhões), de um total de 99.995 contratos (US$ 4,999 bilhões). Para os próximos dias, a expectativa é que o BC continue a anunciar ofertas diárias iguais ou próximas dos 15 mil contratos.

No mercado de ações, a Bolsa voltou à casa dos 60 mil pontos com o avanço dos preços do petróleo no exterior. Ações mais líquidas, como Petrobrás e Vale, tiveram um dia de recuperação após perdas na véspera por conta do risco político.

Além disso, os números do payroll nos EUA deram um fôlego extra ao mercado de ações brasileiro. O relatório sobre o mercado de trabalho no país trouxe um quadro saudável em novembro, mas sem pressão de salários sobre a inflação. Isso permite alívio aos juros dos títulos americanos, cuja alta vinha pressionando o câmbio e desfavorecia ativos domésticos.

Segundo fontes, o principal vetor para o avanço dos papéis da Petrobrás é o aumento da expectativa de reajuste nos preços dos combustíveis após o petróleo permanecer acima de US$ 50 por barril, desde o fechamento do acordo da Opep para cortar a produção mundial em 1%. Petrobrás ON fechou com ganho de 2,42% e a PN, de 2,53%.

As ações da Vale tiveram avanço firme, mesmo com os preços do minério de ferro tendo hoje apresentado estabilidade. Vale PNA subiu 4,97% e Vale ON teve alta de 4,09%. O setor financeiro igualmente fechou positivo, mas sem recuperar nem metade das perdas da véspera. Itaú Unibanco PN, que ontem caiu mais de 4%, registrou hoje valorização de 0,41%.

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