Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dólar volta ao patamar de R$ 3,80 com rumores sobre saída de Levy

Mercado entendeu que apenas a substituição do ministro da Fazenda não resolverá os problemas da economia; Bolsa fechou em queda, penalizada por exterior e balanços de empresas

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2015 | 14h24

(Atualização às 18h30)

O dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira, 13, em alta de de 1,85%, aos R$ 3,8398, e a Bovespa fechou em queda de 0,78%, aos 46.517,03 pontos. A moeda avançou durante todo o dia ante o real, em sintonia com o avanço da divisa americana no exterior e refletindo as informações desencontradas em torno de uma possível saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. 

Na mínima do dia, a moeda americana atingiu R$ 3,7766 (+0,17%) e, na máxima, marcou R$ 3,8418 (+1,90%). O giro à vista somava apenas US$ 675,6 milhões. 

Alguns profissionais lembraram ainda que, como é comum nas tardes de sexta-feira, muitos investidores adotam posições defensivas (compradas no dólar) com a aproximação do fim de semana. E essa defesa no dólar tem uma justificativa: os boatos em torno da possível substituição de Levy por Henrique Meirelles - como vinha sendo ventilado nesta semana - ou até mesmo por outro nome, como o de Otaviano Canuto, hoje diretor do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.

Inicialmente, os rumores sobre a saída de Levy levaram à queda do dólar e ao avanço da Bovespa por dois dias seguidos. No entanto, em uma segunda leitura, o mercado entendeu que apenas a substituição do ministro da Fazenda não resolverá os problemas da economia brasileira.    

Bolsa. O recuo das Bolsas de Nova York e os balanços corporativos ruins penalizaram a Bovespa. Por um lado, pesou a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode elevar juros em dezembro e, por outro, a baixa de papéis importantes como os de Petrobrás e CSN, após a divulgação de seus balanços trimestrais.

O Ibovespa - índice de referência da Bolsa brasileira - marcou 46.884 pontos na pontuação máxima do dia (estável ante o fechamento de quinta-feira, 12). Na mínima, registrou 46.311 pontos (-1,22%). O giro financeiro da Bolsa foi de R$ 5,954 bilhões. 

Na quinta-feira, a Petrobrás divulgou um prejuízo de R$ 3,76 bilhões no terceiro trimestre. O balanço mostrou que o resultado foi fortemente afetado pela desvalorização do real ante o dólar, que elevou o endividamento da estatal. 

O resultado, assim como outros detalhes da prestação de contas, influenciou diretamente na venda de ações da petrolífera. As ações com direito a voto (ON) cederam 2,66%, e os papéis que dão preferência a dividendos recuaram 4,09%. 

A CSN informou um prejuízo líquido de R$ 533 milhões no terceiro trimestre - uma alta de 113% em relação ao prejuízo de R$ 250 milhões apurado no mesmo período do ano passado. Já a dívida líquida consolidada da companhia somou R$ 23,4 bilhões em setembro, alta de 12,7% em relação a junho. O efeito foi a derrocada do papel ON da CSN, que cedeu 9,59%. 

No exterior, alguns números divulgados nos Estados Unidos reforçaram a percepção de o Fed está próximo de elevar sua taxa de juros - o que pressiona as ações. Foi o caso do índice de sentimento do consumidor de Michigan, que subiu para 93,1 em novembro, ante previsão de 91,5.

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