Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons
Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons

Rumores sobre saída de Levy influenciam dólar e Bovespa

A notícia sobre o pedido de demissão do ministro, negada pela Fazenda, ajudou a puxar a moeda americana para cima e limitou os ganhos no mercado acionário

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2015 | 11h57

Atualizado às 18h53

A alta do dólar no exterior e as incertezas em relação ao cenário político brasileiro deram suporte à subida do dólar ante o real nesta sexta-feira. A moeda americana subiu 1,05%, aos R$ 3,84, interrompendo uma série de duas sessões de perdas. Na semana, houve alta acumulada de 2,64%. 

No Brasil, os investidores reagiam negativamente aos rumores de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, teria pedido demissão. Ao mesmo tempo, foi mal recebida a informação de que o governo pode alterar a meta fiscal para 2015.

A notícia também respingou sobre o mercado de juros e o de câmbio futuro, mas um comunicado do Ministério da Fazenda, negando a saída de Levy, acalmou os investidores.

O ministro da Fazenda estava em reunião na tarde desta sexta-feira com a presidente Dilma Rousseff e os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento) no Palácio do Alvorada. 

Os três ministros fazem parte da junta orçamentária e, oficialmente, o encontro teve o objetivo de discutir a necessidade de rever a meta fiscal desse ano, além de definir as prioridades da agenda legislativa. Desde quinta-feira, porém, aumentaram os rumores sobre uma saída de Levy do governo.

Segundo auxiliares do ministro, Levy ficou descontente com as sucessivas críticas feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à condução da política econômica, mas deve permanecer no cargo até o fim do ano.

Ações. A virada ações da Petrobrás para o território positivo foi fundamental hoje para o avanço da Bovespa. Até o meio da tarde, a Bolsa brasileira oscilava muito próxima da estabilidade, em sintonia com Nova York, onde os principais índices também não apresentavam um rumo claro. Com a aceleração do petróleo no exterior, a Petrobrás foi favorecida e o Ibovespa também se firmou. Só que especulações em torno da saída Levy seguraram os ganhos.  

O Ibovespa terminou em alta de apenas 0,16%, aos 47.236,10 pontos. Na semana, acumulou queda de 4,26% e, no mês, avanço de 4,83%.

Durante a tarde, o fortalecimento do petróleo impulsionou os papeis da Petrobrás e, consequentemente, a Bovespa como um todo. Os preços do petróleo aceleraram após a consultoria Baker Hughes divulgar dados de atividade do setor nos Estados Unidos. O número de poços e plataformas de produção em atividade estava em 595 nesta semana, dez a menos que na semana anterior. 

Neste cenário, a Bolsa mantinha ganhos firmes até que os rumores de que Joaquim Levy poderia renunciar tomaram conta dos negócios. A informação de que ele já teria, inclusive, uma carta de renúncia pronta foi negada pelo ministério, mas o estrago já estava feito. A Bovespa acabou subindo apenas 0,16% e, no caso da Petrobrás, que avançava mais de 2% nos papéis PN à tarde, o ganho final foi de apenas 0,41%. Na ação PN da Petrobrás, houve baixa de 0,62%. Vale ON também terminou no negativo, em baixa de 0,97%, e Vale PNA teve alta de 0,86%. / COM AGÊNCIA ESTADO

Mais conteúdo sobre:
dólarcâmbioBovespa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.