Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Bolsa tem nova queda e já acumula 8% de desvalorização em 5 pregões

Mesmo com ação do BC, dólar encerrou o pregão em leve alta de 0,09%, cotado a R$ 3,7082; Bolsa caiu 0,87% aos 72.307,77 pontos

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2018 | 12h22
Atualizado 12 Junho 2018 | 00h59

As incertezas em relação ao cenário eleitoral e econômico voltaram a dar o tom no mercado doméstico nesta segunda-feira. Após ter iniciado o pregão em alta, o Ibovespa inverteu o sinal ainda pela manhã e renovou mínimas à tarde, para terminar em queda pela quinta vez consecutiva, aos 72.307,77 pontos. Em cinco sessões, o índice que reúne as ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo já perdeu 8%. O dólar teve um dia volátil e acabou encerrando os negócios em leve alta de 0,09%, cotado em R$ 3,7082.

+ Ministro nega liminar contra a greve de trabalhadores da Eletrobrás

A cautela voltou a dar tom dos negócios no pregão desta segunda-feira, influenciado principalmente pelas ações do setor financeiro, que recuaram em bloco. Apesar da queda, o volume de negócios - de R$ 9,6 bilhões - ficou abaixo da média dos últimos dias, evidenciando um pregão mais tranquilo, sem os sobressaltos das últimas semanas.

+ Mercado vê PIB abaixo de 2% inflação maior para 2018

"Foi uma continuidade do movimento vendedor dos últimos dias, em um cenário de poucas novidades. O mercado precisa de um 'driver' novo para dar sustentação à força compradora", disse Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

A queda da Bolsa brasileira foi na contramão dos índices acionários de Nova York, que operaram em alta na maior parte do tempo, em meio a expectativas diversas. Entre elas estão a decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira, e o encontro do presidente americano, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, na noite de hoje. Na quinta-feira será a vez da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

"A ausência de notícias faz com que o mercado não tenha onde se apoiar. É um momento no qual se espera respostas; em que não se sabe o que fazer", disse Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da H.Commcor. Ele afirma que os desdobramentos da greve dos caminhoneiros seguem como dúvida para os investidores, que acompanham com receio outros movimentos grevistas, como o dos funcionários da Eletrobras.

As ações com maior influência no resultado final do Ibovespa foram as do segmento financeiro, que fecharam com quedas que chegaram a superar os 3%. Responsáveis por mais de 25% da composição do Ibovespa, esses papéis já vinham mostrando desempenho mais fraco desde a abertura positiva da bolsa. Banco do Brasil ON terminou o dia em queda de 3,30%, Itaú Unibanco PN perdeu 2,89% e as units do Santander recuaram 3,13%.

Dólar.Após registrar a maior queda em quase 10 anos na sexta-feira, o dólar teve um dia volátil hoje e acabou encerrando os negócios em leve alta de 0,09%, cotado em R$ 3,7082. A elevação da moeda dos Estados Unidos no exterior ante as principais divisas de países desenvolvidos e emergentes ajudou a manter as cotações pressionadas aqui, sobretudo na parte da tarde, mesmo com a injeção de US$ 3,25 bilhões no mercado pelo Banco Central nesta segunda-feira.

Os investidores aguardam eventos importantes pela frente, incluindo o histórico encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que começa nesta terça-feira, 12, e deve ter nova alta de juros.

Seguindo a promessa de injetar US$ 20 bilhões no mercado até a sexta-feira, 15, o BC fez novo leilão extra de swap cambial hoje e injetou mais US$ 2,5 bilhões em dinheiro novo no mercado, além dos US$ 750 milhões que vem despejando diariamente. O leilão foi pela manhã e fez as cotações do dólar caírem em seguida, batendo a mínima em duas semanas (R$ 3,67) por volta do meio-dia. A moeda começou o dia em alta e chegou a bater em R$ 3,73 no início dos negócios.

Em entrevista nesta segunda-feira, 11, ao Broadcast, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, evitou adiantar a estratégia para o câmbio na próxima semana, quando terminar esse lote adicional. "Nosso objetivo tem sido o de estabilizar o mercado de câmbio. Não temos qualquer problema em usar as reservas internacionais", disse ele. "O BC e o Tesouro continuarão atuando junto ao mercado enquanto necessário", disse Ilan ao Broadcast ao Vivo Interativo. No final da tarde de hoje, em evento do Goldman Sachs, Ilan reforçou que a política monetária não será usada para estabilizar o câmbio.

Para o diretor de câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo, após despencar 5% na sexta-feira, era natural esperar um dia de ajustes hoje no mercado cambial. Ele ressalta as declarações de Ilan ao Broadcast, de que pode usar se necessário, além dos swaps cambiais, instrumentos como os leilões de linhas e as reservas internacionais. Com isso, Ilan mostra que segue atento ao mercado para evitar um estresse como o da semana passada, ressalta o executivo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.