Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Dólar sobe e fecha a R$ 3,08 após dois dias seguidos de queda

Moeda americana chegou a bater R$ 3,04, mas reverteu perdas com movimento de compra; Bolsa encerrou em queda

Reuters

16 de fevereiro de 2017 | 10h39

Após duas sessões seguidas de queda, o dólar voltou a subir nesta quinta-feira, 16, e encerrou os negócios em alta de 0,72%, cotado a R$ 3,0824. Na véspera, a moeda atingiu o menor nível desde junho de 2015, e por isso, atraiu compradores na sessão de hoje. Já a Bovespa operou em queda durante todo o dia e encerrou o pregão em baixa de 0,24%, aos 67.814,24 pontos. Na véspera, a Bolsa subiu e chegou ao maior patamar em cinco anos.

"O dólar ficou barato, o importador comprou e as tesourarias bancárias recompuseram um pouco de suas posições", disse o diretor da Correparti Corretora Jefferson Rugik. Apesar dessa correção pontual, a trajetória da moeda norte-americana segue de baixa, segundo operadores, com expectativas de entrada de recursos vindos do exterior devido, entre outros, às recentes captações feitas por empresas no Brasil.

"O Brasil segue surfando numa onda favorável. O dólar ganhou mais um reforço para sua trajetória de baixa com a aprovação da repatriação, mas a queda a partir de agora, com esse patamar, deve ser mais contida", acrescentou um profissional sênior da mesa de câmbio de uma corretora nacional.

Na noite passada, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto para nova rodada de regularização de ativos mantidos ilegalmente no exterior, a chamada repatriação, programa que rendeu mais de 45 bilhões de reais ao governo no ano passado. Para essa nova fase, existem expectativas de que mais 20 bilhões a 30 bilhões de reais possam ser levantados. A matéria, no entanto, volta agora ao Senado, por conta das modificações feitas, já que o projeto original é daquela Casa, e deve ser votada na próxima semana.

O Banco Central fez nesta sessão o terceiro leilão seguido de até 6 mil swaps tradicionais --equivalentes à venda futura de dólares-- para rolar os contratos que vencem em março, sinalizando que deixará expirar boa parte dos quase US$ 7 bilhões que vencem no mês que vem. Alguns profissionais acreditavam que uma forma de o BC conter um pouco o movimento de recuo do dólar ante o real é repetir nos próximos meses a redução da rolagem de swaps tradicionais.

No exterior, o dólar caía ante uma cesta de moedas após onze dias de ganhos consecutivos.

Ações. O mercado de ações manteve a percepção positiva com o cenário doméstico, mas acabou por ceder a um movimento de correções. Embora tenha chegado a superar o patamar dos 68 mil pontos, o Índice Bovespa perdeu fôlego e terminou o dia em baixa. Os negócios somaram R$ 9,4 bilhões.

A queda coincidiu com um movimento negativo das bolsas de Nova York, que há dias também surfam em uma onda de otimismo e hoje recuaram. Operadores citaram ainda um ajuste do mercado depois do exercício de opções sobre o Ibovespa, que ajudou a inflar a alta de 1,89% do índice ontem.

As ações dos bancos foram os principais alvos das ordens de venda, devolvendo parte dos ganhos recentes. Santander Unit teve queda de 2,27% e Itaú Unibanco, de 1,94%. A exceção ficou com os papéis do Banco do Brasil, que mais cedo divulgou resultado financeiro de 2016. Apesar do lucro considerado fraco, analistas acabaram por valorizar indicativos de um desempenho melhor em 2017. Na contramão do setor financeiro, BB ON subiu 3,23%.

Os papéis da Vale tiveram sua terceira queda consecutiva, ainda atribuída a uma realização de lucros. Os papéis caíram 0,15% (ON) e 0,19% (PNA) e contribuíram em menor parte para a baixa. O setor siderúrgico acompanhou a baixa da mineradora e teve entre os destaques CSN ON (-0,95%) e Usiminas PNA (-1,09%)./COM PAULA DIAS, DO BROADCAST

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