Dólar sobe e encerra na maior cotação desde dezembro

Em um dia marcado pela liquidez global reduzida, moeda esteve em sintonia ante outras divisas no exterior

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

27 de maio de 2013 | 17h30

Em um dia marcado pela liquidez global reduzida, o dólar voltou a subir ante o real no mercado de balcão, em sintonia com o movimento da moeda americana ante outras divisas no exterior. A divulgação da balança comercial brasileira na quarta semana de maio, acusando superávit de US$ 461 milhões, embora positiva, não teve força para evitar o avanço do dólar.

A moeda americana fechou esta segunda-feira em alta de 0,29%, cotada a R$ 2,0560 no balcão, na maior cotação do dia. Este é o maior nível de fechamento desde 24 de dezembro, quando a moeda fechou - também em um dia de baixíssima liquidez - a R$ 2,0770. Antes disso, a cotação mais alta havia sido a de 21 de dezembro de 2012, a R$ 2,0730.

Na cotação mínima doo dia, a moeda atingiu R$ 2,0510 (avanço de 0,05%). A moeda oscilou durante todo a sessão em alta. Às 16h42 (horário de Brasília), a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 1,793 bilhões, sendo US$ 1,677 bilhões em D+2. No mercado futuro, o dólar para junho era cotado a R$ 2,0575, em alta de 0,12%.

Chamou a atenção a baixa liquidez no mercado, em função dos feriados nos Estados Unidos e no Reino Unido. Lá fora, o dólar também avançava em relação a outras divisas com elevada correlação com commodities, mas mantinha-se próximo da estabilidade em relação ao euro.

As atuais condições do cenário de câmbio brasileiro voltaram a ser citadas por profissionais . "Parece ser conveniente um dólar mais alto, porque o Banco Central, apesar da moeda estar acima de R$ 2,05, não apareceu na semana passada e não apareceu hoje", comentou Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora. "Se passar de R$ 2,10, o BC pode até atuar. Mas até lá, a cotação favorece a indústria."

O fato de o BC ter elevado a Selic na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em abril, também consolidou a percepção de que a taxa de juros será a ferramenta preferencial para conter a inflação - e não o câmbio.

Por outro lado, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 461 milhões na quarta semana de maio, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações somaram US$ 5,198 bilhões e as importações foram de US$ 4,737 bilhões. No mês, o saldo positivo está de US$ 1,518 bilhão e, no ano, há déficit de US$ 4,634 bilhões.

Apesar de os resultados mais recentes da balança serem melhores, profissionais do mercado seguem classificando os números como frustrantes, com a balança comercial incapaz de reagir de forma mais intensa à exportação da safra agrícola. Com isso, na prática, a balança foi incapaz de alterar o rumo de alta do dólar.

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