Dólar sobe e volta a se aproximar dos R$ 1,60

Moody''s colocou a nota de 16 bancos italianos em observação para possível rebaixamento

Cristina Canas, da Agência Estado,

24 de junho de 2011 | 10h26

O dólar comercial abriu as negociações desta sexta-feira em alta. Às 10h25, no mercado interbancário de câmbio, a moeda era negociada a R$ 1,593, alta de 0,25% em relação ao fechamento das transações de quarta-feira. O primeiro negócio hoje foi fechado a R$ 1,598. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o dólar à vista estava cotado a R$ 1,5926, alta de 0,20%. O euro comercial caía 0,79% a R$ 2,265.

Tudo estava conspirando para que o dia fosse "ensolarado" nos mercados financeiros, nesta sexta-feira. Mas a agência de classificação de risco Moody''s voltou a nublar o cenário. Ontem, depois dos mercados fechados na Europa, anunciou que está colocando a nota de 16 bancos italianos em observação para possível rebaixamento. Por causa da forte reação dos investidores à notícia, a Bolsa de Milão chegou a suspender as negociações com os papéis das instituições hoje e o euro foi abalado, o que deve repercutir também no mercado doméstico de câmbio.

O que ameniza a notícia referente à Itália é a novidade vinda da Grécia. Depois de uma quinta-feira tensa e volátil para os investidores internacionais, tudo acabou bem por lá, ontem. Havia um rombo nos ajustes em curso na Grécia, que foi descoberto pelos representantes do FMI, da União Europeia e Banco Central Europeu que visitaram o país, e era essa diferença nas contas que estava emperrando os últimos avanços para um pacote de socorro. Esse entrave saiu temporariamente de cena nesta sexta-feira, já que o governo grego, incluindo o novo ministro das Finanças, aceitou ontem ampliar as medidas de austeridade.

Porém, agora o Parlamento grego também precisa concordar com os ajustes, e a população é contra. Ontem houve novos protestos. A decisão está prevista para o dia 30 e, até lá, embora hoje os players comemorem o acordo de ontem, as incertezas não estão afastavas em definitivo. Só depois da aprovação das medidas de austeridade é que será liberada a parcela de 12 bilhões de euros referente ao empréstimo do ano passado, que está prometida para o início de julho. Também depende do Parlamento grego a aprovação definitiva de um novo pacote de 120 bilhões de euros acordado ontem.

Os indicadores divulgados nesta manhã nos EUA também devem ajudar a esconder a notícia dos bancos italianos. O PIB dos EUA do primeiro trimestre foi revisado de 1,8% para alta de 1,9%. Os economistas esperavam um pouco mais - 2% -, mas não é um resultado ruim. Ainda mais, se somado ao índice de encomendas de bens duráveis, que teve alta de 1,9% ante estimativas de 1,6%. O mercado deve computar, ainda, a decisão inesperada da Agência Internacional de Energia, de liberar estoque estratégico de petróleo.

Mas, se nesta sexta-feira notícias não faltam, podem ser poucos os investidores. Ontem foi feriado no Brasil e as mesas de operações estão em esquema de plantão. A percepção é de que vários players estão fora dos negócios. Ainda assim, os que ficaram aqui podem querer computar o noticiário farto a perspectiva dos especialistas é de volatilidade nas cotações do dólar.

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