Marcos De Paula/Estadão
Marcos De Paula/Estadão

Apesar de leilão do Banco Central, alta do dólar perde fôlego

Bovespa inverte o sinal e passa a ter leve queda; balanço da Petrobrás será divulgado após o fechamento do mercado e especialistas esperam uma leve melhora nos indicadores

Álvaro Campos e Victor Martins, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2016 | 11h36

SÃO PAULO -  Apesar de ainda se manter em alta, o dólar perdeu força neste início de tarde. Às 14h, o dólar subia 0,61%, a R$ 3,6014, enquanto no mercado futuro, nos contratos com vencimetno em abril, a moeda recuava 0,51%, a R$ 3,6165. No exterior, o dólar opera misto em relação a outras moedas emergentes e de países exportadores de commodities, embora prevaleça um leve sinal de alta.

Na manhã desta segunda-feira, o dólar abriu em alta robusta frente ao real, após o Banco Central anunciar na sexta-feira a realização de operações de swap cambial reverso, que equivalem à compra da moeda estrangeira no mercado futuro. A decisão ocorre após perdas recentes do dólar - motivadas pela expectativa de queda da presidente Dilma Rousseff - que levaram a cotação para o menor patamar desde 27 de agosto de 2015, a R$ 3,5796. 

Após três anos sem recorrer ao instrumento, o BC realizou hoje essa operação de swap cambial reverso, na qual ele assumiu posição de comprador de dólar e vendedor de taxa. No total, 5.500 contratos de swap cambial reverso foram vendidos. A operação vence em 1º de julho de 2016 e o valor total foi de US$ 272,7 milhões. Com esse resultado, a instituição vendeu apenas 27,5% dos contratos que ofertou. 

"Quando o Bacen anunciou a operação de swap reverso na sexta-feira, eu achei que o dólar à vista iria abrir hoje a R$ 3,80, R$ 3,90, porque não há sinal mais claro de que eles não estão satisfeitos com o câmbio a R$ 3,60. Mas o mercado parece que não está dando muita bola para o BC", comenta o gerente da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Mercados. Após as fortes oscilações na semana passada, os mercados abriram esta segunda-feira com movimentos mais amenos com o cenário político ainda em foco. A Bovespa teve alta pela manhã, mas começou a perder fôlego e a operar em estabilidade às 13h50, quando caía 0,04%, aos 50.796,83 pontos. O balanço da Petrobrás, que será divulgado após o fechamento, também é um dos destaques do dia.

Entre as blue chips, Petrobrás (ON -1,07% e PN -1,11%) operava em queda, assim como as ações da Vale (ON -1,04% e PN -0,8%).

Enquanto isso, o noticiário econômico segue no foco, com a 25ª fase da Lava Jato, que deflagrou nesta madrugada sua primeira etapa internacional, em Lisboa, Portugal. Um dos objetivos é a prisão preventiva do lobista Raul Schmidt Felipe Junior, foragido desde julho de 2015.

Além disso, a comissão especial da Câmara que analisa o impeachment da presidente reúne-se à tarde, enquanto o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB), tenta garantir o quórum mínimo no plenário para abrir sessão ordinária e acelerar o prazo que Dilma tem para apresentar sua defesa.

Há ainda expectativa pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido de habeas corpus impetrado por advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais seis juristas pela suspensão da decisão do ministro Gilmar Mendes que, aos deferir os mandados de segurança e suspender a nomeação do ex-presidente como ministro da Casa Civil, devolveu ao juiz Sergio Moro as ações referentes a Lula na Lava Jato. 

Na agenda coorporativa, o balanço da Petrobrás é destaque. Apesar da falta de consenso em relação ao resultado líquido da estatal, analistas projetam uma discreta melhora nos indicadores operacionais, a começar pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). As projeções de sete instituições consultadas para o resultado da estatal variam de prejuízo líquido de R$ 9,7 bilhões a lucro de R$ 7 bilhões. 

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