Dólar sobe em relação ao real pelo quinto dia seguido

Moeda foi em sentido contrário ao do exterior, onde caiu sobre o euro e outras divisas relacionadas a commodities

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

20 de maio de 2013 | 17h05

Pela quinta sessão consecutiva, o dólar à vista fechou em alta ante o real no mercado de balcão, na contramão do exterior, onde a moeda americana caía ante o euro e outras divisas com elevada correlação com commodities. O avanço ocorreu em sintonia com os dados negativos da balança comercial brasileira na terceira semana de maio, divulgados na tarde desta sexta-feira, mas alguns profissionais disseram que certo fluxo de saída de dólares pode ter definido a alta. Embora a moeda tenha chegado a atingir R$ 2,040 ao longo do dia, o Banco Central (BC) manteve-se distante do mercado.

O dólar à vista no balcão fechou o dia em alta de 0,05% ante o real, cotado a R$ 2,0390 no balcão. Esta é a maior cotação de fechamento desde 22 de janeiro deste ano, quando a moeda encerrou a R$ 2,0440. Nas últimas cinco sessões, a moeda acumulou ganhos de 1,44%. Em maio, a moeda à vista já avançou 1,85%. Na cotação mínima de hoje, verificada às 10h22, o dólar marcou R$ 2,0280 (queda de 0,49% ante o fechamento de sexta-feira) e, na máxima, às 15h30, atingiu R$ 2,0400 (avanço de 0,10%). Perto das 16h30 (horário de Brasília), a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 3,181 bilhões, sendo US$ 3,070 bilhões em D+2. O dólar pronto da BM&F subiu 0,07%, para R$ 2,03860. No mercado futuro, o dólar para junho era cotado a R$ 2,0435, em alta de 0,12%.

Pela manhã, o dólar à vista oscilou em baixa ante o real, acompanhando o cenário externo. No fim de semana, o ministro da Economia do Japão, Akira Amari, afirmou que a correção do iene está praticamente completa. "Se o iene continuar se enfraquecendo muito mais, terá impacto negativo sobre a vida das pessoas", comentou. A fala de Amari fez o dólar recuar ante o iene japonês, o euro e outras divisas ligadas a commodities, como o real.

A queda no Brasil, porém, foi perdendo força no início da tarde, com profissionais citando fluxo de saída de dólares em alguns momentos da sessão. Após o Banco Central informar que a balança comercial voltou a registrar déficit na terceira semana de maio, de US$ 47 milhões - depois do superávit comercial de US$ 695 milhões na segunda semana de maio -, a moeda se manteve em leve alta ante o real, a despeito do recuo em relação a outras divisas.

Lá fora, a expectativa ainda gira em torno dos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em relação ao seu programa de compra de bônus. Pouco depois das 14 horas (de Brasília), o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, disse que a economia dos EUA está indo "muito bem", especialmente o setor privado, e que o País deve registrar um crescimento "autossustentado" a partir do ano que vem, em torno de 3,5%. Ao mesmo tempo, afirmou que as compras de ativos continuarão até que haja uma melhora substancial no mercado de trabalho.

"O discurso do Evans não deixou claro se o Fed vai reduzir os estímulos agora. Isso também fez o dólar cair lá fora. Já o real ficou na contramão, em função da balança comercial, novamente negativa", citou João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora. "Quando os dados da balança saíram, a venda (de dólares) perdeu fôlego mesmo, e ainda assim o Banco Central ficou de fora do mercado", acrescentou Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora.

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