Marcos Santos/USP Imagens
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Após encostar em R$ 4, dólar perde força e fecha cotado a R$ 3,97

Movimento foi influenciado por piora das projeções econômicas, crise política e indicações de alta do juros nos EUA; dólar favoreceu ações de exportadoras, mas ainda assim Bolsa caiu 1,43%

Karla Spotorno, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 10h32

Texto atualizado às 18h00

O dólar comercial registrou um novo dia de alta nesta segunda-feira, 21, em meio a um cenário econômico e político turvo no Brasil. Com forte oscilação, a moeda chegou a encostar na cotação de R$ 4 no fim da manhã, mas depois reduziu a valorização. No fim do dia, o dólar terminou cotado a R$ 3,977, em alta de 0,68%.

Logo cedo, o dólar e os juros dos Treasuries (títulos do governo dos Estados Unidos) subiram fortemente, após o presidente da distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em Saint Louis, James Bullard, afirmar, em entrevista à emissora CNBC, que já estava na hora de elevar os juros nos EUA e que há um "forte argumento" a favor disso. Outros dirigentes regionais discursaram no fim de semana nessa mesma linha.

O Banco Central fez nova intervenção para conter a alta volatilidade do dólar no mercado. Nos leilões de linha realizados nesta manhã, a cotação de recompra da moeda pela instituição em abril e junho do ano que vem já supera a marca de R$ 4,30. Além da perspectiva de alta para o futuro também há uma espécie de juro embutida na transação e que é acrescida ao valor de venda de R$ 3,976700 da Ptax da manhã desta segunda-feira.

Esta foi a terceira ação recente do BC para conter a alta volatilidade do dólar vista no mercado. A primeira, foi realizada há cerca de 15 dias, quando a instituição ofertou o mesmo volume de dólares. O mercado, no entanto, só teve apetite para US$ 300 milhões. A segunda vez foi no dia seguinte ao anúncio de rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação Standard & Poors, num valor menor, de US$ 1,5 bilhão. 

Pela manhã, o Banco Central realizou dois leilões de venda de dólares conjugados com leilões de recompra da moeda estrangeira, denominados leilões de linha. Foram ofertados até US$ 3 bilhões distribuídos, a critério do BC, nas duas operações. No leilão "A", com recompra em 4 de abril de 2016, a taxa de corte ficou em R$ 4,213980. Já no leilão "B", com recompra em 5 de julho de 2016, a taxa de corte foi de R$ 4,320002.

Crise. A confirmação pelo IBC-Br de julho (queda de 0,02%) de que a atividade está contraindo - ainda que menor que a mediana (queda de 0,25%) esperada pelos analistas ouvidos pela Agência Estado - é um dos fatores no radar do mercado.

No relatório de mercado Focus, a projeção para o câmbio em 2016 subiu para R$ 4. Para 2015, a expectativa para a taxa de câmbio ao fim do ano subiu de R$ 3,70 para R$ 3,86 - nível aquém do fechamento da última sexta-feira, quando o dólar fechou cotado a R$ 3,9500. Há quatro semanas a expectativa era de encerrar o ano em R$ 3,50.

Bolsa. A Bovespa terminou novamente em baixa, mas com uma variação menor do que a verificada na última sexta-feira. Passado o exercício de opções sobre ações, no começo da tarde, os investidores derrubaram o índice, prejudicado ainda por declarações de um dirigente do Fed. Mas a fala do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aliviou um pouco a pressão vendedora e o Ibovespa terminou longe da mínima. 

O Ibovespa terminou a sessão em baixa de 1,43%, aos 46.590,19 pontos. Na mínima, marcou 46.425 pontos (-1,78%) e, na máxima, 47.391 pontos (+0,27%). No mês, acumula ligeira baixa de 0,07% e, no ano, queda de 6,83%. O giro financeiro totalizou R$ 7,741 bilhões. 

Hoje, a disparada do dólar para quase R$ 4 favoreceu empresas exportadoras, como Vale, que subiu 0,10% na ON, mas caiu 0,57% na PNA. Fibria ON (+2,13%), Braskem PNA (+1,88%), Suzano PNA (+1,13%) e JBS ON (+1,35%). Petrobrás terminou nas mínimas, com -3,25% na ON e -3,95% na PN. (Colaborou Claudia Violante)


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