ADEK BERRY/AFP
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Dólar sobe mais de 1% e fecha a R$ 3,28

Moeda voltou a se aproximar do patamar dos R$ 3,30 com investidores à espera de novidades no cenário doméstico; em dia de recuperação, Bolsa fechou em leve alta de 0,11%

Lucas Hirata, Paula Dias, Reuters

21 Julho 2016 | 17h43

O dólar fechou em alta de 1,16% nesta quinta-feira, 21, e voltou a se aproximar do patamar dos R$ 3,30 com investidores comprando moeda após o tombo recente da divisa norte-americana. Com isso, encerrou a sessão cotado a R$ 3,2851. A moeda norte-americana vem girando em torno de R$ 3,25, perto das mínimas em um ano, durante praticamente todo este mês, sem conseguir buscar patamares ainda mais baixos.

Já a Bolsa voltou a subir com as ações do setor de mineração compensando as perdas dos bancos. O Ibovespa fechou em alta de 0,11%, aos 56.641,48 pontos, um dia após fechar em queda e interromper a sequência de dez dias consecutivos de alta.

As preocupações com o cenário doméstico fizeram o dólar subir frente ao real, contrariando a baixa observada ante divisas de mercados emergentes e ligadas a commodities. De acordo com profissionais de câmbio, o turbulento noticiário corporativo, diante de desdobramentos da crise na Odebrecht, e o mal-estar despertado pelo reajuste salarial de mais de 40% do judiciário elevaram a percepção de risco sobre o Brasil, resultando também em elevação nas taxas dos contratos de proteção contra o risco nacional (CDS, na sigla em inglês).

Em um dia de modesto volume de negócios, o movimento interno foi amparado também na acentuada queda nos preços de petróleo e na frustração com medidas adicionais de estímulo no Japão e na zona do euro. O ambiente internacional ainda trabalha com elevado nível de liquidez e juros reais negativos nas principais economias desenvolvidas. Esse cenário pode favorecer a chegada de recursos para o Brasil numa teórica busca por rentabilidade, uma vez que a taxa básica de juros, a Selic, é uma das maiores do mundo. O mercado nacional de renda fixa, inclusive, descarta corte da taxa em agosto e diminuiu a aposta de afrouxamento em outubro, após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido a Selic 14,25% e o IPCA-15 ter registrado em julho alta maior que a esperada.

Um dos sinais do apetite estrangeiro por ativos nacionais foi a captação de US$ 1,5 bilhão em bônus com vencimento em 2047, oferecendo aos investidores retorno de 5,875%, disseram fontes ao Broadcast. A emissão foi anunciada nesta manhã pelo governo. O retorno está levemente acima do papel de mesmo vencimento, em 30 anos, emitido em julho de 2014, quando foram captados US$ 3,5 bilhões oferecendo aos investidores taxa de 5,131%.

Essa expectativa de liquidez para a economia brasileira também pode dar condições para o BC continuar reduzindo seu estoque de swap cambial tradicional. Em julho, o BC retomou os leilões de swap cambial reverso e atuou no mercado em todas as sessões, com exceção do dia 8. A intervenção da autarquia hoje ajudou a intensificar a alta do dólar, apesar de não ter sido fator principal para o movimento.

Bolsa. A Bovespa teve um pregão de instabilidade e a discreta alta teria sido maior não fossem as ações do setor financeiro, que caíram em meio a um ambiente de realização de lucros e especulações. O dia foi de perdas nas bolsas de Nova York, assim como nos preços do petróleo, o que também limitou os ganhos no Brasil. 

Este é o segundo pregão da Bolsa brasileira depois do rali de dez altas consecutivas, com as quais o índice subiu 9,37%. Na véspera, o Ibovespa caiu 0,21%. Na manhã desta quinta, o índice chegou a subir até 0,58%. À tarde, caiu até 0,61%, puxado pela forte baixa da ações de bancos, influenciadas pelos comentários de que a Odebrecht estaria próxima de um pedido de recuperação judicial. A construtora negou a informação. Ao final do dia, Banco do Brasil ON, que chegou a cair mais de 5%, reduziu a baixa para 1,87%. Itaú Unibanco recuou 1,34% e Bradesco PN cedeu 0,76%. Com a melhora desses papéis, o Ibovespa voltou a subir no final dos negócios.

Se os bancos estiveram em destaque na ponta de queda, as ações dos setores siderúrgico e de mineração tiveram as altas mais relevantes. Entre as que compõem o Ibovespa, as maiores valorizações ficaram com Usiminas PNA (+10,04%), Vale ON (+5,39%) e CSN ON (+5,37%). Além da alta de 1,8% do minério de ferro, os papéis da Vale responderam a números de produção considerados positivos, embora dentro do esperado. Ações de siderurgia e metalurgia também reagiram a expectativas mais positivas em relação ao setor automobilístico.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa acumula alta de 9,93% em julho e de 30,66% em 2016. O saldo de investimentos estrangeiros no mercado brasileiro segue firme, segundo dados da Bolsa. Na última terça-feira (19), houve ingresso de R$ 340,4 milhões, levando o acumulado de julho para R$ 4,219 bilhões, já o segundo melhor do ano. No acumulado de 2016, há ingresso acumulado de R$ 16,8 bilhões na Bolsa. /COM AGÊNCIA REUTERS

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