Dario Oliveira/Código-18
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Dólar sobe mais de 1% na semana e Bolsa tem leve queda

Cenário político ditou rumos do mercado financeiro com julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE

O Estado de S.Paulo

09 Junho 2017 | 18h20

O dólar terminou a semana em alta de 1,17%, aos R$ 3,2922, com investidores acompanhando de perto a etapa final do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A sessão ainda não havia sido concluída até às 18h desta sexta-feira, 9, mas a expectativa era de que a chapa não fosse cassada. Mesmo assim, a tensão dos investidores ditou os rumos no mercado financeiro e fez com que o dólar terminasse a sexta-feira em alta de 0,89%.

Na Bolsa, os negócios também foram afetados pelo cenário político e o Índice Bovespa terminou o último pregão da semana em baixa de 0,87%, aos 62.210,55 pontos. Entre 5 e 9 de junho, as baixas foram 0,48%.

Além da cautela com o julgamento no TSE e os desdobramentos da crise política gerada pelas delações de executivos da JBS, o mercado financeiro também ficou apreensivo quanto à delação do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e ao possível envolvimento de bancos em ilegalidades.

Outro fator que gerou apreensão foi a Medida Provisória 784, que autoriza o Banco Central a firmar acordos de leniência com instituições financeiras no mesmo modelo usando para empreiteiras no âmbito da Operação Lava Jato da Polícia Federal. 

No pregão de hoje, investidores estavam pouco dispostos a passar o final de semana comprados diante de indefinições como a do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer e do 'desembarque' do PSDB do governo. Essa 'corrida' levou o volume de negócios para o maior nível na semana, de R$ 7,19 bilhões.

Por mais um dia consecutivo, o bloco financeiro - dos quatro grandes bancos mais a Cielo - foi responsável por manter o índice no terreno negativo em contraposição clara à Petrobrás, Vale e suas correlatas. Um analista do mercado afirma que o setor bancário continua sendo afetado por uma preocupação, ainda na esfera dos rumores, sobre o teor de uma possível delação do ex-ministro Antonio Palocci, que sempre teve relação estreita com empresários e agentes do setor financeiro. 

Nesse contexto, os papéis recuaram. A maior perda do dia ficou com a Unit do Santander (3,41%). Banco do Brasil ON caiu 1,63%, Bradesco ON, 1,60%, e Itaú Unibanco PN, 1,57%. Com as quedas na sessão de hoje, essas instituições, respectivamente, acumulam perdas nos últimos 30 dias de 10,77%, 13,79%, 13,60% e 8,42%. No acumulado de 2017, as ações do banco estatal - e mais sensível à crise política - já estão no negativo assim como as da instituição espanhola. 

Na mão contrária dos bancos, Petrobrás seguiu de perto a tendência externa com a alta da cotação do petróleo no mercado internacional e, segundo Guilherme, também seguiam refletindo as medidas em prol do aumento de governança anunciadas recentemente. 

Já as ações da Vale e das siderúrgicas também seguiram em alta. CSN, Gerdau, Vale e Bradespar figuravam entre os maiores ganhos do índice nesta última hora da sessão de negócios. Segundo operadores, contribuíram para os desempenhos a devolução de perdas acumuladas neste mês e dados otimistas sobre a continuidade dos estímulos à economia por parte do governo chinês./ COM SIMONE CAVALCANTI

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