Dólar sobe na abertura, cauteloso em relação aos EUA

A sinalização dada ontem pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), de que não está descartada nova alta do juro dos EUA em junho, não foi capaz de sustentar uma valorização do dólar ante o real. Mas impediu nova queda em dia que teria tido firme fluxo positivo, na avaliação de especialistas. Porém hoje o dólar negociado no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) abriu em alta de 0,78% (R$ 2,076). Às 09h34, a moeda subia 0,83%, cotada a R$ 2,077. Na abertura dos negócios do dólar, em alta, também pesou a continuidade das atuações agressivas do Banco Central. Os operadores calculam que a autoridade monetário comprou mais de US$ 800 milhões ontem, o que somaria cerca de US$ 3 bi em cinco dias úteis. É bom considerar que, embora na quarta-feira o comunicado do Federal Reserve não tenha causado grandes sobressaltos, a maioria dos investidores apostava numa interrupção imediata da alta de juros norte-americanos. E vários deles ainda devem precisar ajustar suas posições à nova situação. Esse ajuste tornar-se ainda mais provável se considerarmos que as taxas de juros dos títulos do Tesouro dos EUA registram aumento e esses ativos são os mais sensíveis às leituras que o mercado internacional faz dos movimentos do Fed. Os papéis do Tesouro devem ser, mais uma vez, o principal farol dos negócios do mercado de câmbio doméstico. Além da decisão do Federal Reserve ontem, os títulos norte-americanos e, conseqüentemente, os papéis de dívida externa e o dólar, devem oscilar de acordo com os dados da economia norte-americana que saem hoje. As maiores expectativas recaem sobre o indicador de vendas no varejo em abril e os dados do auxílio-desemprego, que serão divulgados às 9h30. Às 11 horas, o Departamento do Comércio divulga o indicador de estoques das empresas em março. Há também o ambiente político interno, que continua tenso. O noticiário da manhã desta quinta-feira apresenta ainda uma entrevista pouco amistosa do presidente boliviano, Evo Morales. Hoje pela manhã, ele disse, na Europa, que só haveria indenização à Petrobras se houvesse apropriação de ativos "mas esse não é o caso". Além disso, chamou as empresas de contrabandistas por não pagarem impostos e reiterou que todos os recursos naturais da Bolívia serão controlados por bolivianos. O mercado não tem reagido expressivamente à crise do Brasil com o país vizinho, mas houve movimentos pontuais a ela por isso o assunto deve ser monitorado.

Agencia Estado,

11 de maio de 2006 | 09h36

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