Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Dólar sobe para R$ 2,74 e atinge maior nível em mais de nove anos

Quedas do preço do petróleo e do rublo ante o dólar influenciam mercado; Bolsa fecha perto da estabilidade

Economia & Negócios

16 Dezembro 2014 | 11h15

Texto atualizado às 17h10

O nervosismo e a volatilidade tomaram conta dos mercados financeiros nesta terça-feira, 16, pressionados por um ataque especulativo contra a moeda da Rússia, o rublo. O país aumentou sua taxa de juros para 17% e tem perspectivas ruins de crescimento.

Nesse contexto, o dólar voltou a subir de forma acentuada ante o real e fechou no maior nível em mais de nove anos. No fim do dia, o dólar fechou com alta de 2,01%, aos R$ 2,7410, marcando o maior patamar de encerramento desde 23 de março de 2005 (R$ 2,7500). Nas últimas cinco sessões, o dólar acumulou alta de 5,63%. 

O Banco Central russo tentou conter a queda livre do rublo com uma medida drástica: elevou a taxa de juros do país de 10,50% para 17%. No entanto, o esforço foi em vão, já que a moeda chegou a perder 30% de seu valor em relação ao dólar mais cedo, intensificando preocupações com uma possível crise financeira no país. O efeito nulo da medida levou o governo russo a dizer que adotará outras medidas para tentar manter a estabilidade financeira no país.

Apesar das declarações, os investidores se mantiveram céticos sobre a capacidade da Rússia em administrar a crise e se refugiaram em ativos considerado seguros, como iene e os bônus dos EUA. Indicadores econômicos fracos na China e na Alemanha também contribuíram para o sentimento negativos dos investidores mais cedo. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da China caiu para 49,5 em dezembro, o menor nível em sete meses, de 50,0 em novembro, de acordo com o banco HSBC. O PMI composto alemão recuou em dezembro para 51,4, marcando o menor nível em 18 meses.

No mercado de câmbio doméstico, o presidente do BC, Alexandre Tombini, tentou acalmar os investidores, durante uma audiência no Senado, ao indicar que os leilões diários de swap continuarão em 2015. As declarações levaram o dólar a reduzir pontualmente a alta, mas a pressão do exterior acabou prevalecendo sobre os negócios e a moeda retomou a trajetória ascendente ante o real. 

Na abertura, a Bovespa chegou a cair mais de 2% e as ações da Petrobrás chegaram a derreter mais de 5%. Ao longo do dia, contudo, a Bolsa se recuperou e fechou perto da estabilidade, enquanto as ações da estatal subiram. 


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