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Dólar sobe pelo 4º dia consecutivo e fecha cotado a R$ 2,71

Incertezas sobre a economia e a repercussão das afirmações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobre câmbio, na semana passada, levaram a uma alta de 1% da moeda norte-americana

Denise Abarca, Agência Estado

02 Fevereiro 2015 | 13h20

Texto atualizado às 17h

O mês de fevereiro começou com cautela no mercado de câmbio doméstico. O dólar cravou sua quarta sessão consecutiva de alta ante o real, apesar do movimento contrário visto no exterior, onde a moeda recuou ante a maior parte das divisas. Ainda sob o efeito das palavras do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na sexta-feira, de que o governo não tem a intenção de manter o câmbio artificialmente valorizado, o investidor encontrou nas incertezas do quadro interno mais motivação para continuar comprando dólar.

O dólar à vista no balcão encerrou a R$ 2,713 (+1,04%), maior patamar desde 5 de janeiro (R$ 2,7160), com ganho de 5,52% acumulado em quatro sessões. 

A moeda americana começou o dia em baixa ante o real, com os investidores realizando parte dos lucros recentes e digerindo a informação de que o Banco Central vai rolar integralmente em fevereiro os US$ 10,4 bilhões de swap cambiais que vencem em março. Mas ainda na etapa matutina a moeda inverteu para alta, já que o movimento de ajuste não resistiu às preocupações com o cenário doméstico, repleto de riscos que vão do racionamento de energia e retração do PIB em 2015 à eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a Câmara dos Deputados. E, ainda que esperado, o resultado deficitário da balança comercial em janeiro, de US$ 3,174 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), ajudou a compor o clima mais pesado.

Analistas vêm alertando para o risco que a eleição de Cunha, adversário do governo, traz para a aprovação das medidas econômicas no Congresso e que são importantes para recolocar a economia nos trilhos, como as de caráter fiscal. Além disso, ele já se mostrou favorável à ampliação das investigações das denúncias de corrupção na Petrobrás.

Em sua mensagem encaminhada ao Congresso Nacional para a sessão de abertura da 55ª legislatura, lida nesta tarde, a presidente Dilma reforçou que o País está diante de um reequilíbrio fiscal para recuperar a economia. "Contas públicas em ordem são necessárias para o controle da inflação", afirmou a presidente. "Vamos promover o reequilíbrio fiscal de forma gradual", acrescentou.

Pela manhã, o Banco Central vendeu os 2 mil contratos de swap cambial ofertados na operação diária, num total de US$ 98,1 milhões, e outros 13 mil contratos de swap na rolagem de títulos que vencem em 2 de março de 2015, no valor de US$ 631,9 milhões. 

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