Andre Lessa/Estadão
Andre Lessa/Estadão

Dólar sobe pelo terceiro dia e bate R$ 3,349, a maior cotação em mais de 12 anos

Investidor teme a perda do grau de investimento do País pelas agências de risco após mudanças na meta fiscal do governo; moeda bateu os R$ 3,357 na máxima

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2015 | 09h27

Atualizado às 19h

O dólar passou pelo terceiro dia consecutivo de forte valorização ante o real, após o governo oficializar, na última quarta-feira, as mudanças na meta fiscal. O dólar à vista de balcão oscilou durante todo o dia em alta e fechou cotado a R$ 3,3490, com ganhos de 1,76%. Este é o maior valor de fechamento em mais de 12 anos, desde 31 de março de 2003. Em três dias, a moeda acumulou avanço de 5,71%.

Os investidores continuam preocupados com a possibilidade de o Brasil, em função das dificuldades na área fiscal, perder o grau de investimento concedido pelas agências de classificação de risco. Nem alguns comentários do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, durante a tarde, foram capazes de amenizar a forte pressão sobre o câmbio. 

Desde cedo, investidores que atuam no câmbio brasileiro - em especial, estrangeiros - deram continuidade à busca de dólares iniciada na quarta-feira. Tudo porque, ao reduzir as metas fiscais de 2015, 2016 e 2017, o governo passou uma mensagem de fraqueza ao promover o ajuste e elevou a percepção de que o País pode, de fato, ser rebaixado pelas principais agências de classificação de risco internacionais. A meta fiscal deste ano foi de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para 0,15%; a de 2016, de 2,0% para 0,3%; e a de 2017, de 2,0% para 1,3%.

Não bastasse a pressão interna, o dólar também subia no exterior ante várias divisas de países emergentes e exportadores de commodities, após a China divulgar mais um indicador econômico fraco - o índice de gerentes de compras (PMI) da indústria, que caiu aos 48,2 na prévia de julho, ante 49,4 em junho.

À tarde, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, até tentou acalmar os ânimos, ao dizer, após participação em evento em São Paulo, que é "cedo para dizer se a variação do câmbio vai ser permanente". Além disso, segundo ele, "na medida em que explicarmos as ações fiscais, o impacto no câmbio tende a ser absorvido".

Hoje, este impacto não foi absorvido. O dólar renovou máximas mesmo após os comentários de Barbosa, com investidores se protegendo no dólar ante do fim de semana e da agenda pesada da semana que vem, que inclui decisão sobre juros no Brasil e nos EUA, uma série de dados econômicos da economia brasileira e a determinação da ptax de fim de mês, taxa usada como referência em diversos contratos, na sexta-feira dia 31. 


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