Dólar sobe quase 2% e fecha em R$ 2,43

Moeda americana seguiu a valorização do exterior, na maior cotação em mais de sete meses; atuação do Banco Central não conseguiu segurar a cotação

Denise Abarca, Agência Estado - Texto atualizado às 17h05

25 de setembro de 2014 | 14h32

Após a pausa na sequência de altas registrada na quarta-feira, o dólar voltou a subir ante o real nesta quinta, alçando o patamar de R$ 2,43, em linha com o movimento do mercado global de moedas e pressionado adicionalmente pelo quadro eleitoral no Brasil. O dólar à vista no balcão encerrou cotado em R$ 2,4300, aumento de 1,89%, na máxima do dia, e já acumula valorização de 8,39% em setembro e 9,12% nos últimos doze meses. O valor de fechamento de hoje é o maior desde 3 de fevereiro (R$ 2,4350). A alta ocorreu apesar das atuações do Banco Central no mercado de câmbio, que na véspera conseguiram derrubar a cotação abaixo de R$ 2,40.

No exterior, a alta do dólar era generalizada, principalmente ante as moedas de países emergentes e exportadores de commodities. Perto das 16h30, a moeda dos EUA avançava 1,91% ante o dólar neozelandês, 0,34% ante o dólar canadense e 1,09% ante o dólar australiano. Entre os emergentes, subia 0,35% ante o won sul-coreano, 1,15% ante a lira turca e 0,73% em relação ao rand sul-africano.

O comportamento do câmbio global refletiu o movimento de fuga para a qualidade que dominou os mercados nesta quinta-feira, definido por uma série de fatores, entre eles informações ainda não confirmadas de que a Rússia estaria estudando confiscar ativos de estrangeiros em seu território em represália às sanções impostas pelo Ocidente e preocupações com o desempenho da economia global.

Aos fracos indicadores da atividade da zona do euro conhecidos nos últimos dias, somam-se as dúvidas sobre a economia chinesa reforçadas pela sinalização do governo do país nesta semana de que não haverá estímulos à atividade. Em consequência, o preço do minério de ferro recua, o que também contribui para depreciar as moedas de países emergentes. Nos EUA, hoje chamou a atenção a queda das encomendas de bens duráveis de 18,2% em agosto, mais do que a previsão de -17,5%.

Dessa forma, a influência externa acabou prevalecendo ante um possível alívio advindo dos leilões de swap cambial do Banco Central realizados pela manhã. Na operação regular, o BC vendeu os 4 mil contratos ofertados para os dois vencimentos, no valor total de US$ 198,2 milhões. Na rolagem, a autoridade monetária voltou a oferecer uma quantidade maior de contratos, a exemplo de ontem. Vendeu 15 mil contratos que vencem em 1º de outubro de 2014, com valor de US$ 739 milhões.

Contribuiu ainda para o avanço do dólar ante o real a cautela antes das próximas pesquisas eleitorais, que podem endossar o quadro de melhora das intenções de voto da candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, e de piora da candidata do PSB, Marina Silva. 

Em entrevista ao Broadcast Ao Vivo, Márcia Cavallari, diretora do Ibope Inteligência, afirmou que o quadro eleitoral está definido, porém em movimento, ao se referir sobre a primeira rodada das eleições. Para ela, os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) podem continuar se aproximando, mas sem ameaçar a ida da ex-senadora ao segundo turno. Além disso, Márcia acrescentou que Dilma tem oscilado na faixa atual, enquanto Marina apresenta queda lenta e consistente. Porém, ela ressalta que "qualquer novo fato pode ter efeito rápido e o eleitor costuma decidir na última semana".

Tudo o que sabemos sobre:
dólar

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.