Dólar sobe um pouco na abertura, cotado a R$ 2,118

A taxa de câmbio abriu em alta de 0,19% no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), com o dólar negociado a R$ 2,118. Depois de três dias seguidos de baixa, o dólar pode trabalhar pressionado nesta quinta-feira, último dia útil da semana. Há várias justificativas para a alta, dentre as quais duas se destacam: o aumento das cotações do petróleo no mercado externo e a releitura dos investidores sobre a condução da política monetária nos EUA, depois da divulgação do índice de inflação ao consumidor (CPI) ontem. Nesta manhã, os juros dos títulos americanos (Treasuries) também trabalham com ganhos, corroborando a visão altista para o câmbio por aqui, com o agravante de que o juro do título de 10 anos, o principal referencial para o mercado, está acima de 5%. Esta taxa chegou a bater ontem o nível mais alto dos últimos quatro anos (5,055%), mas no fechamento este vigor diminuiu um pouco e o papel fechou a 5,027%, de 4,98% no dia anterior. Segundo um profissional do mercado, o resultado da inflação de março nos EUA ontem, particularmente o núcleo do índice - que veio acima do estimado - fez o mercado reinterpretar o otimismo da véspera, quando a ata da última reunião do Fed (banco central dos EUA) levou o mercado à euforia. A avaliação de que o ciclo de alta dos juros básicos nos EUA estaria perto do fim, desta forma, foi revista ontem. ?Uma nuvem negra se formou?, avaliou este operador ao considerar que, agora, há o agravante de as cotações estarem em patamares ainda mais baixos, o que justificaria um movimento de compras. No caso do petróleo, os recordes sucessivos de elevação registrados nesta semana foram relativamente ignorados pelo mercado. O contrato futuro de maio que vence hoje fechou ontem a US$ 72,17 o barril, em Nova York. O contrato futuro de junho nesta manhã opera em ligeira baixa, de 0,04%, a US$ 74,08, depois de bater US$ 74,48 mais cedo. A possibilidade de um ataque militar dos EUA ao Irã e os problemas na Nigéria puxam as cotações. ?Os mercados trabalharam a semana sem olhar para o petróleo e acho que isso deve acontecer hoje?, prevê um operador. O dólar também se fortalece no mercado externo hoje em relação a outras moedas fortes (iene e euro) e o feriado de Tiradentes, amanhã, é outro argumento para a elevação das cotações. ?Os investidores compram moeda para passar os três dias sem negócios?, explica o profissional. Pode haver ainda remessa de dividendos hoje, já que os balanços indicam que este fluxo será considerável este mês, contribuindo ainda mais para a elevação.

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