Dólar tem alta com mercado mais cauteloso aqui e no exterior

Questão cambial deve ser tema central da reunião do G-20, na Coreia, a partir da sexta-feira

Cristina Canas, da Agência Estado,

18 de outubro de 2010 | 10h16

A semana começa com os investidores respirando maior cautela no mercado de câmbio, tanto no Brasil quanto no exterior. Um dos motivos é que estes dias prometem um acirramento das discussões em torno da questão cambial, que deve ser o tema central do encontro do G-20, na Coreia, a partir da próxima sexta-feira. Outro, é a disposição dos investidores para a realização de lucros, depois de perdas acumuladas importantes no dólar.

 

Por aqui, o ministro Guido Mantega admitiu, na sexta-feira, que o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as aplicações de investidores estrangeiros em renda fixa não surtiu o efeito esperado e avisou que o governo focará o mercado futuro e "tomará todas as medidas para impedir abusos no Brasil". Lamentando por não poder aplicar IOF em derivativos, alertou que há outros instrumentos, citando limites para exposição a risco e para alavancagem das empresas. Há informações de que o ministro se reunirá no decorrer da semana com representantes da BM&FBovespa para discutir o assunto e de que ele estaria cancelando sua presença no encontro do G-20 para concentrar-se na problemática do câmbio, internamente.

 

Mais distantes dessas discussões do que no passado, quando a bolsa ainda não era uma empresas privada, os profissionais do mercado comentam o assunto e aguardam. Eles avaliam que as mudanças nesse front não devem ser grandes, mas podem ajudar a segurar um pouco a queda do dólar.

 

Lá fora, os investidores continuam de olho no Federal Reserve. Que o banco central norte-americano prepara uma injeção adicional de liquidez e que ela virá em pouco tempo, ninguém tem dúvida. Que isso representa investidores rumo a ativos de risco, com enfraquecimento generalizado do dólar, também ninguém questiona. A dúvida que já existia para alguns e que parece aumentar é o quanto disso já está nos preços. Hoje, essas ponderações seriam um fator a segurar maiores quedas da moeda norte-americana.

 

Segundo operadores domésticos, o dólar começou a segunda-feira em alta generalizada diante das moedas emergentes. A alta variava de 0,20% a 0,70% há pouco no exterior, enquanto no mercado futuro doméstico, o contrato de novembro oscilava na faixa de 0,40%. Às 9h23, a valorização era de 0,42% a R$ 1,678.

 

Vale lembrar que para calibrar a cautela que assumiu, o mercado seguirá acompanhando os indicadores e os pronunciamentos de autoridades dos EUA e Europa. Nos EUA, o presidente do Fed, Ben Bernanke disse, na semana passada, que os indicadores econômicos é que determinarão as novas medidas. E hoje o Federal Reserve divulga, às 11h15, a produção industrial de setembro. A NAHB divulga, às 12 horas, o índice de atividade das construtoras de casas de outubro. O Departamento do Tesouro divulga, às 11 horas, o fluxo líquido de capital de/para os EUA em agosto.

 

Na Europa, o líder dos ministros de Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, afirmou, por duas vezes, que "as taxas de câmbio deveriam refletir os fundamentos econômicos". E completou escancarando o descontentamento com o fortalecimento do euro: "eu não acho que no momento atual as taxas de câmbio estejam refletindo os fundamentos econômicos". Indicadores e resultado de reuniões de autoridades por lá, também serão monitorados.

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