Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar volta a subir e vai a R$ 3,75 com dúvidas sobre Previdência e exterior negativo

Fortalecimento da moeda americana no exterior e preocupações com os rumos da reforma da Previdência levaram cautela a investidores

Altamiro Silva Junior e Antonio Perez, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2019 | 14h49
Atualizado 13 Fevereiro 2019 | 19h13

O dólar voltou a piorar nesta quarta-feira, 13, e terminou em alta de 1,04%, a R$ 3,7533. O fortalecimento da moeda americana no exterior, contrastando com a fraqueza observada na terça-feira, e preocupações com os rumos da reforma da Previdência estão entre os fatores que fizeram os investidores buscarem proteção no dólar. O real foi a segunda moeda que mais perdeu valor ante a divisa dos Estados Unidos nesta quarta-feira, atrás apenas do rand, da África do Sul, onde o dólar subiu quase 2%.

Em uma sessão marcada por forte instabilidade, o Ibovespa operou descolado do otimismo das bolsas americanas e, após trocar de sinal diversas vezes ao longo do dia, fechou em queda de 0,34%, aos 95.842,40 pontos. O volume negociado atingiu R$ 33,3 bilhões, inflado do vencimento de opções do Índice. Do lado positivo, os papéis ON da Petrobrás subiram 2,37% acompanhando a alta do petróleo, e os da Vale seguiram sua trajetória de recuperação (alta de 2,69%), em meio à expectativa de que perdas financeiras menores com os desdobramentos do rompimento da barragem em Brumadinho e preços do minério ascendentes.

Na outra ponta oposta, as ações de bancos, em especial de Banco do Brasil e Itaú Unibanco, caíram em um movimento de realização de lucros, enquanto papéis do setor de consumo sofreram com os dados dos fracos do varejo. As ações da das Lojas Renner, por exemplo, figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa, com perdas de 2,60%.

 

No mercado doméstico, o foco se manteve na reforma da Previdência. A agência de classificação de risco Moody's acredita que o governo de Jair Bolsonaro conseguirá aprovar "algum tipo de reforma" no Congresso, mas não antes do terceiro trimestre. A previsão dos analistas Samar Maziad, Patrick Cooper e Mauro Leos, que assinam o relatório, é que Bolsonaro consiga aprovar uma reforma que gere economia fiscal na casa dos R$ 600 bilhões a R$ 800 bilhões em 10 anos. Um texto com economia menor que esse patamar pode ser negativo para o perfil de crédito soberano do Brasil, alertam eles.

Para o gerente de operações da B&T Corretora, Marcos Trabbold, era de se esperar que com a alta de Bolsonaro hoje do hospital, após 17 dias internado, o câmbio ficasse menos pressionado, pois a expectativa é que agora a reforma comece de fato a andar. Mas o que ocorreu foi o oposto, talvez, avalia ele, porque a percepção é de que o texto pode demorar mais que o esperado para avançar no Congresso. "Não é uma reforma rápida, a tramitação leva tempo."

Os estrategistas da gestora inglesa Ashmore avaliam que as deterioradas contas fiscais brasileiras, pela falta de uma reforma da Previdência, permanecem como maior obstáculo para uma volta firme dos investimentos estrangeiros no Brasil. Para eles, é positivo que a equipe econômica tenha metas ambiciosas para a reforma, embora as negociações no Congresso devem certamente desidratar o texto original.

Para o diretor de uma corretora paulista, após o dólar cair 1,33% na terça-feira, o segundo maior recuo do ano, uma correção era esperada, especialmente sem fator novos sobre a Previdência e com um exterior negativo. O dia no mercado financeiro internacional foi de fuga de ativos de risco. Um dos indicativos é que o índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de moedas fortes, voltou a subir e a operar próximo ao pico de 2018, batido em dezembro.

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