Dólar tem dia de alta após dado dos EUA

O número semanal de pedidos de auxílio desemprego norte-americano veio abaixo do previsto pelo mercado

Silvana Rocha, da Agência Estado,

12 de setembro de 2013 | 10h09

O mercado de câmbio abriu os negócios com o dólar em alta, alinhado com a valorização externa da moeda dos EUA. O número de pedidos de auxílio desemprego norte-americano na semana abaixo do previsto - de 292 mil ante estimativa de 330 mil - reforça a possibilidade de início em breve da redução de estímulos nos EUA, disse um operador de um banco. Por isso, após esse resultado, o dólar acelerou os ganhos no mercado internacional de moedas, puxando junto as cotações internas da divisa dos EUA. De outro lado, a venda pelo Banco Central do lote integral de até US$ 500 milhões em swap cambial tirou força da moeda norte-americana, afirmou um operador de uma corretora.

Após abrir em alta de 0,35%, cotado a R$ 2,2810, a moeda atingiu uma máxima de R$ 2,2880. Às 11h25, o dólar subia 0,31%, cotado a R$ 2,28.

No Brasil, de acordo com um operador de tesouraria de um banco, o aumento acima do esperado das vendas no varejo em julho ante junho, de 1,9%, demonstra que a economia está aquecida e reforça a necessidade de manutenção da política de aperto dos juros. Segundo ele, o indicador não teve impacto na formação de preço do câmbio, mas provocou forte alta dos juros futuros. "Quando o real se desvaloriza, mostra necessidade de persistência do aperto monetário. Já se o câmbio se estabilizasse entre R$ 2,20 e R$ 2,30, o pass through do dólar para inflação diminuiria, reduzindo a pressão sobre os preços na economia", comentou.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse há pouco que o resultado do varejo comprova a recuperação do consumo no País. Segundo ele, o varejo mostra que a queda da inflação deu mais poder aquisitivo ao consumidor. "O crédito também melhorou um pouquinho e se reflete nas vendas do varejo", completou.

De acordo com o IBGE, as vendas do comércio varejista restrito subiram 1,9% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal. O resultado veio acima do teto do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam desde uma queda de 0,40% a uma alta de 1,20%, com mediana de 0,20%. Na comparação com julho do ano passado, as vendas do varejo tiveram alta de 6,0% em julho deste ano. Nesse confronto, as projeções variavam de uma alta entre 1,55% e 4,90%, com mediana de 3,00%. Até junho, as vendas do varejo restrito acumulam altas de 3,5% no ano e de 5,4% nos últimos 12 meses.

Quanto ao varejo ampliado, que inclui os segmentos de Veículos, Motos, Partes e Peças e de Material de Construção, as vendas avançaram 0,6% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal. Na comparação com julho do ano passado, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 3,7% em julho deste ano. Nesse confronto, as projeções variavam de um recuo de 0,90% a uma expansão de 3,10%, com mediana de 1,20%. Até julho, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam altas de 3,7% no ano e de 5,8% nos últimos 12 meses.

Na zona do euro, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, disse em discurso há pouco para elogiar a futura incorporação da Letônia ao bloco, que a política monetária da instituição é sólida e tem conseguido evitar que a zona do euro sofra um rompimento. O BCE "tem mantido a estabilidade dos preços, de acordo com seu mandato, apesar da crise mais severa desde os anos 1930. Temos defendido nossa moeda contra temores infundados de um rompimento da zona do euro. Tudo isso significa que os países que se associam à área do euro hoje podem ter confiança de que seu pilar central, a política monetária, é sólida", disse Draghi.

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