André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dólar supera a cotação de R$ 4 com a troca de Levy por Barbosa

Moeda terminou o dia negociada a R$ 4,01, em alta de 1,39%; para analistas, governo pode deixar de lado a austeridade fiscal

Ana Luísa Westphalen , O Estado de S. Paulo

21 de dezembro de 2015 | 13h07

Atualizado às 17h45

A nomeação de Nelson Barbosa para comandar o Ministério da Fazenda no lugar de Joaquim Levy não foi bem recebida pelo mercado, o que refletiu-se na forte alta do dólar na sessão desta segunda-feira, dia em que a moeda ultrapassou os R$ 4,00, na maior cotação de fechamento desde setembro.

Apesar dos esforços do novo ministro da Fazenda no sentido de tentar ganhar a confiança dos investidores, prevaleceu a percepção de que, sem Levy, o governo pode deixar de lado a austeridade fiscal e, com o objetivo de reaquecer a economia, pode enveredar para os moldes da "nova matriz macroeconômica" implementada por Guido Mantega no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Na visão do mercado, por ser mais alinhado à presidente, Barbosa pode adotar uma estratégia mais expansionista em sua gestão à frente da Fazenda.

O dólar à vista no balcão terminou o dia negociado a R$ 4,0163, em alta de 1,39% - maior valor de fechamento desde 29 de setembro deste ano (R$ 4,0630). Na cotação máxima do dia, a moeda alcançou R$ 4,0408, em alta de 2,00%, depois de o novo ministro da Fazenda encerrar sua participação em teleconferência de apresentação para investidores nacionais e estrangeiros. Na mínima, a divisa marcou R$ 3,9644 (+0,08%), logo após a abertura. 

A pressão de alta sobre o dólar à vista prevaleceu desde a abertura. Havia expectativa pela teleconferência de apresentação de Barbosa a investidores no fim da manhã, mas ainda que o ministro tenha feito um discurso muito alinhado à política implementada por seu antecessor, não foi suficiente para convencer o mercado. Foi só a teleconferência acabar para o dólar renovar máximas sucessivas, até bater os R$ 4,0408 (+2,00%).

"Afinal, se a intenção é persistir na mesma linha de austeridade, absolutamente necessária para o País nesta fase de caos na economia e em especial na política fiscal, não há justificativa para a troca de Ministro", avalia o diretor da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme. Para o economista, o ajuste fiscal é o único caminho para que o País possa estabelecer um programa crível de retomada do desenvolvimento sustentável a partir de 2017 ou 2018.

Bolsa. O Ibovespa encerrou o pregão de hoje no menor nível desde 1º de abril de 2009. O principal indicador da Bolsa brasileira fechou hoje em queda de 1,62% aos 43.199,95 pontos. Em 1º de abril de 2009, o Ibovespa havia fechado aos 41.976 pontos. Hoje, foi o primeiro dia em que a sessão regular do mercado à vista acabou às 18h, conforme decisão da BM&FBovespa por conta do horário de verão.

Contribuiu fortemente para esse resultado negativo a desvalorização de ações estatais. Os papéis PN e ON da Petrobrás tiveram fortes perdas, assim como as ações do Banco do Brasil. "É o efeito Barbosa sobre as estatais", diz um operador de renda variável, referindo-se à substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa no cargo de ministro da Fazenda. 

A Vale também exerceu uma pressão de baixa forte no Ibovespa na segunda metade do pregão. Em alguns, momentos a ON e a PNA da mineradora caíam mais de 4%. A ação ordinária fechou em queda de 4,65%. A preferencial, em -6,53%. A companhia sofreu um revés importante no caso Samarco. Teve o bloqueio de seus bens determinado por uma decisão liminar judicial. A sócia BHP Billiton na mineradora de Mariana (MG) também teve os bens bloqueados nessa mesma decisão. O motivo, explica a decisão judicial, é o fato de os danos socioambientais superarem o patrimônio da Samarco. 

(Colaborou Karla Spotorno)


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