Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Dólar fecha em queda e chega a R$ 3,49, menor cotação desde agosto

Mercado entende que saída de Dilma pode atrair mais investidores e, consequentemente, provocar a queda do dólar; Bolsa tem queda

Fabrício de Castro e Renato Carvalho, O Estado de S. Paulo

11 de abril de 2016 | 10h20

SÃO PAULO - O otimismo dos investidores em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff ditou o ritmo do mercado nesta segunda-feira, 11. O dólar, que já havia caído na sexta-feira, manteve a trajetória e fechou em queda de 2,76%, cotado a R$ 3,4979, a menor desde 21 de agosto de 2015.

O entendimento no mercado é de que a saída da presidente poderia atrair mais investidores e, consequentemente, provocar a queda da moeda norte-americana na comparação com o real. O bom humor dos investidores também fez o Ibovespa operar em alta em boa parte do dia, mas, ao final do pregão, bancos e estatais perderam força e pressionaram o índice, que acabou fechando em queda de 0,23%, aos 50.170,22 pontos. 

Os investidores adotaram postura mais cautelosa, momentos antes da votação do relatório que defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Itaú Unibanco PN subiu 0,50%, aos R$ 31,86. Também subiram Bradesco PN (+2,12%), ON (+1,43%) e BB ON (+3,06%). Na última sexta, os papéis do banco estatal subiram 11,5%. 

 

As ações da Petrobrás, que chegaram a subir quase 4% na máxima do dia, perderam força na última hora de pregão da Bolsa, e os papéis ON fecharam em queda de 0,67%. Segundo operadores, após as fortes altas de sexta-feira, os investidores entraram em compasso de espera em relação ao ambiente político, com a votação do relatório do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Impeachment. A última atualização do Placar do Impeachment elaborado pelo Estado aponta que 295 parlamentares são favoráveis ao impedimento da presidente. A oposição precisa reunir 342 votos para dar andamento ao processo que pode resultar no afastamento da presidente.

Além de o número de parlamentares favoráveis ao impeachment continuar a crescer em ritmo mais acelerado do que a posição daqueles que se dizem contrários, outra notícia desfavorável ao Planalto veio do aliado Partido Progressista (PP). Diretórios estaduais da sigla decidiram apoiar o afastamento da presidente, a despeito da posição contrária ao impeachment da direção nacional.

No cenário econômico, chama atenção a contínua perspectiva de expansão do superávit comercial brasileiro em 2016. O Relatório de Mercado Focus divulgado hoje pelo Banco Central indica que o saldo comercial será positivo em US$ 45 bilhões. Quatro semanas atrás, o mercado projetava superávit de US$ 41,20 bilhões.


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.