Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons
Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons

Após ata do Fed, Bolsa encerra na máxima e dólar fecha a R$ 3,20

Mercado financeiro foi impactado por documento do BC dos EUA, que mostra cautela em relação à alta de juros

Ana Luísa Westphalen e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2016 | 12h26
Atualizado 17 de agosto de 2016 | 22h41

O principal índice da Bovespa acompanhou a virada dos mercados internacionais e fechou em alta com a maior pontuação do ano nesta quarta-feira, 17. O Ibovespa subiu 0,80%, aos 59.323,82 pontos, maior patamar desde 5 de setembro de 2014.

O movimento repercutiu a ata da reunião de julho do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, que mostrou cautela dos dirigentes com os indicadores da economia americana e deixou aberto todas as possibilidades para a alta de juros, sem se comprometer com prazos.  Durante a manhã, quando os mercados acionários em Nova York e no Brasil passavam por um ajuste dos ganhos recentes, o índice à vista bateu mínima aos 58.081 pontos (1,32%).

"Os mercados reagiram positivamente à ata do Fed e isso foi um dos motivos para a Bovespa ter virado, juntamente com a melhora dos mercados internacionais. Muito pouca gente tinha expectativa de um aumento dos juros nos Estados Unidos agora em setembro. Depois da ata, o aperto monetário na próxima reunião foi descartado e, se tiver alta de juros neste ano, será no fim de 2016 mesmo, em dezembro", avaliou o economista-chefe da ModalMais, Álvaro Bandeira.

Câmbio. O dólar também operou influenciado pela ata do Fed.  A moeda americana fechou em alta de 0,35% ante o real, a R$ 3,20, mas longe das máximas do dia. O dólar abriu em alta e continuou se fortalecendo no mercado à vista ao longo da manhã. Por volta das 12h, a moeda era cotada a R$3,2175, em alta de 0,70%, depois de bater R$ 3,2335 na máxima do dia.

Apesar de apontar que alguns dirigentes querem esperar melhores indicadores da economia, principalmente em relação à inflação, para seguir com o aperto monetário, o documento também mostrou que alguns membros votantes do Fed acreditam que será apropriado elevar a taxa em breve.

A cautela prevaleceu no mercado de câmbio e o dólar fechou em alta frente ao real pela quinta sessão consecutiva. O tom do Federal Reserve reduziu as apostas de elevação de juros nos Estados Unidos no curto prazo e amenizou em boa parte a pressão de alta da moeda americana sobre a brasileira. No entanto, não evitou que o dólar à vista chegasse ao final do dia aos R$ 3,2053 (+0,35%), refletindo a insegurança dos investidores com as incertezas que persistem nos cenários interno e externo.

A expectativa pela divulgação da ata do Fed manteve o dólar fortalecido frente a moedas de países desenvolvidos e emergentes desde o início do dia. Isso porque, na véspera, dois dirigentes regionais do BC americano haviam sinalizado para a possibilidade de aumento de juros nos Estados Unidos já na reunião de política monetária de setembro. Os comentários de William Dudley, presidente do Fed de Nova York, e de Dennis Lockhart, do Fed de Atlanta, incentivaram o aumento de posições compradas em dólar em todo o mundo. Na máxima registrada hoje, pela manhã, o dólar à vista chegou aos R$ 3,2335 (+1,24%).

"Muita gente havia montado posições compradas à espera de uma ata que fosse mais incisiva em relação ao aperto monetário, mas o que veio foi um Fed dividido. Há uma desconfiança, mas o movimento inicial foi de desmonte de posições", disse Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset para justificar a forte desaceleração do dólar após a divulgação da ata. Na mínima do dia, a cotação do "pronto" chegou a R$ 3,1985 (+0,14%), mas voltou a ganhar fôlego.

A cautela também se manteve no que diz respeito ao cenário nacional, principalmente em relação ao ajuste fiscal. Segundo profissionais do mercado, permanece o desconforto com as dificuldades do governo e da equipe econômica em avançar em medidas consideradas importantes, o que vem dando sustentação ao dólar. Desde ontem, por exemplo, repercute mal no mercado o cancelamento do leilão da distribuidora goiana Celg, por falta de interessados. Esse era o primeiro leilão do governo Temer, e havia grande expectativa em torno dele.

"Para ter sucesso na recuperação de caixa, o governo conta com repatriação de recursos, concessões e privatizações. A falta de interessados no primeiro leilão é relativamente ruim, o que leva investidores às compras", disse Ricardo Gomes da Silva, diretor da corretora Correparti.

Em cinco sessões de alta, o dólar acumula valorização de 2,42% frente ao real. A sequência de ganhos teve início na última quinta-feira (11), quando o Banco Central elevou em 50% a oferta de contratos de swap cambial reverso, uma vez que o dólar já testava o suporte dos R$ 3,13. Nos leilões, o BC passou a ofertar 15 mil contratos ao mercado, equivalentes a US$ 750 milhões. Segundo profissionais do mercado, a medida tem surtido efeito nas cotações, não apenas pelo que representa em volume de recursos, mas também pela sinalização de que o BC está atento às oscilações da moeda americana.

"A oferta de swaps reversos está fazendo efeito, mas o estoque de swaps deve acabar nos próximos meses. O mercado deve ficar atento a quais ferramentas o BC vai usar para conter as quedas previstas", disse Silva, da Correparti.

Mercado de ações. No Ibovespa, as ações da Petrobras terminaram o dia em alta de 1,71% (ON) e 2,16% (PN), favorecidas também pela recuperação dos preços do petróleo. 

Os papéis da Vale, por sua vez, subiram 0,74% (ON) e 0,12% (PNA), a despeito do recuo de 1,1% do preço do minério de ferro no mercado chinês. O insumo é negociado a US$ 61,1 a tonelada seca, de acordo com dados do The Steel Index.

Voltando ao cenário doméstico, nesta tarde, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Carlos Hamilton, confirmou que a projeção do governo para o crescimento do PIB em 2017 passou de 1,2% para 1,6%, conforme esperado pelo mercado. Já a estimativa para a inflação medida pelo IPCA no próximo ano foi mantida em 4,8%, ainda acima do centro da meta, de 4,5%. Segundo ele, a principal variável que levou o governo a rever suas projeções para o PIB de 2017 é a taxa de investimento./ COM REUTERS

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