Dólar tem mínima em 15 anos ante iene

Movimento reflete deterioração das perspectivas para o crescimento mundial, que eleva demanda por moedas consideradas seguras

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

24 de agosto de 2010 | 08h57

O iene subiu para uma máxima em 15 anos em relação ao dólar e para o mais alto patamar em quase nove anos em relação ao euro, com a deterioração das perspectivas para o crescimento mundial mantendo a demanda por moedas consideradas seguras.

O iene ganhou suporte adicional do pequeno apetite demonstrado pelas autoridades japonesas para intervir ou adotar novas políticas a fim de evitar que a moeda japonesa se valorize ainda mais.

A exasperação em torno da falta de uma reposta oficial do governo do Japão ajudou a puxar o índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, para abaixo dos 9 mil pontos pela primeira vez desde maio de 2009.

O movimento para a segurança ocorre em um momento no qual os indicadores das principais economias mundiais continuam a apontar para uma desaceleração no segundo semestre deste ano. Embora a Alemanha tenha confirmado que sua economia cresceu 2,2% no segundo trimestre, os analistas preveem ainda um desempenho mais fraco nos próximos trimestres.

A agência de classificação de risco Moody's não ajudou o sentimento em relação ao euro ao alertar que poderá rebaixar o rating de crédito da Espanha no final de setembro. A notícia aumentou mais uma vez as preocupações de que o problema da dívida soberana na zona do euro ainda representa uma ameaça de default nos mercados de títulos.

O desempenho do Reino Unido também ficou sob os holofotes, depois que Martin Weale, o mais novo membro do comitê de política monetária do Banco da Inglaterra (BOE, na sigla em inglês), dizer que há um "risco significativo" de o país enfrentar uma recessão de duplo mergulho e sugerir que as previsões da autoridade monetária para o crescimento da economia britânica são demasiado otimistas.

Além disso, o sentimento mundial não receberá suporte, provavelmente, da divulgação dos dados sobre as vendas de imóveis residenciais usados nos Estados Unidos, prevista para as 11 horas (de Brasília), que devem mostrar uma queda acentuada. A média das previsões dos economistas é que as vendas recuaram 14,3% em julho, após diminuírem 5,1% em junho.

Diante do forte movimento dos investidores para a moeda japonesa, o que levou o dólar a atingir a mínima em 15 anos, de 84,15 ienes, o ministro das Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, disse, em entrevista coletiva, que a alta do iene é unilateral e que ele acompanhará os movimentos da moeda.

No entanto, Noda não fez nenhum comentário sobre uma intervenção no mercado de câmbio e não sinalizou que as autoridades estejam estudando qualquer mudança na política para interromper a valorização do iene.

No entanto, a moeda japonesa perdeu alguns de seus ganhos iniciais, após especulações de que o Banco do Japão estava verificando as taxas de mercado. O movimento é considerado geralmente uma forma de intervenção, com o banco central tornando sua presença conhecida, mesmo que não realize, de fato, qualquer venda de ienes.

Às 9h14 (de Brasília), o dólar estava em 84,22 ienes, de 85,25 ienes na tarde de ontem em Nova York, enquanto o euro era cotado em 106,48 ienes, de 107,95, após atingir a mínima em quase 9 anos, de 106,11. O euro também recuou para US$ 1,2611, de US$ 1,2665. As informações são da Dow Jones.

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