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Dólar tem forte alta com crise política e cotação vai a R$ 3,53

Moeda norte-americana subiu 1,35% e renovou a máxima em 12 anos, impulsionada por novas tensões políticas; nas casas de câmbio, cotação já se aproxima de R$ 4

Paula Dias,Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 10h01

Texto atualizado às 17h

O agravamento da crise política diante do isolamento da presidente Dilma Rousseff deixou os investidores cautelosos nesta quinta-feira, 6. Com isso, o dólar manteve a escalada dos últimos dias e subiu 1,35%, para R$ 3,536. É a maior cotação desde 5 de março de 2003. Ao longo do dia, a moeda chegou a bater na cotação de R$ 3,56, mas depois diminuiu o avanço. A moeda acumula valorização de 6,19% nas últimas seis sessões. Em 2015, a alta é de 33,18%.

Nas casas de câmbio, o dólar turismo já se aproxima da marca dos R$ 4. Tanto na corretora Cotação como na Confidence Câmbio, o dólar americano no cartão pré-pago era comercializado a R$ 3,96, já com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 6,38%. A moeda em espécie, com IOF menor, de 0,38%, era vendida a R$ 3,76. Na Sol Corretora, o dólar em dinheiro saía a R$ 3,73, e no pré-pago, a R$ 3,94 (entenda abaixo a diferença das cotações).

Entre as derrotas recentes sofridas pelo governo estão a perda de partidos aliados (PDT e PTB), a aprovação no Congresso de medidas que aumentam os gastos públicos e a crescente perda de popularidade da presidente Dilma Rousseff. A cada sinal de comprometimento da governabilidade, o mercado aumenta a busca por posições defensivas. Também é desfavorável a notícia de que a presidente atingiu uma reprovação de 71%, segundo pesquisa do Datafolha. O nível é mais alto do que o atingido por Fernando Collor (1990-92), quando ele estava às vésperas de sofrer um processo de impeachment. 

No início da tarde, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, afirmou que o nível atual de câmbio está muito acima do que seria explicado pelos fundamentos econômicos e que comprar dólares nos atuais patamares pode representar risco de perda no médio prazo. A fala do diretor não gerou reação significativa no mercado de câmbio, apesar de analistas verem nela um possível recado do BC antes da adoção de alguma medida para tentar conter a incessante alta da moeda norte-americana.

A deterioração do cenário político ficou evidente em uma pesquisa da XP Investimentos com cem clientes institucionais. Na pesquisa, divulgada internamente no dia 4 de agosto, 100% dos investidores evidenciaram que consideram alguma probabilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff. No levantamento anterior, realizado em abril, esse porcentual era de 53%. Essa deterioração também se reflete no âmbito popular. Conforme pesquisa do Datafolha, a reprovação do governo Dilma atingiu 71%, patamar superior ao de Fernando Collor à época do impeachment.

Por que o dólar turismo é sempre mais caro?

O dólar comercial é utilizado por empresas, bancos e governos para operações no mercado de câmbio, como transferências financeiras, exportações, importações, entre outros.

Já o dólar turismo é utilizado para viagens, transações de turismo no exterior e débitos em moeda estrangeira no cartão de crédito. Ele é mais caro pois é calculado com base no dólar comercial mais os custos das casas de câmbio com questões logísticas, administrativas e com seguro em caso de roubo, uma vez que as transações com dólar turismo são feitas com moeda em espécie, em "dinheiro vivo". Já as transações com dólar comercial são feitas de forma eletrônica.

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