Public Domain
Public Domain

Dólar tem novo dia de alta e vai a R$ 3,87 com cautela de investidores

Já a Bolsa subiu 0,5%, aos 89 mil pontos, em dia de poucos negócios em razão de feriado em NY

Altamiro Silva Júnior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2018 | 19h38

O dólar teve novo dia de alta, em uma quarta-feira de ritmo mais fraco nos negócios, por causa do fechamento do mercado financeiro nos Estados Unidos em homenagem ao falecimento do ex-presidente George H. W. Bush. O câmbio aqui acompanhou a cautela dos investidores internacionais, com a moeda americana subindo perante boa parte dos emergentes, em meio a renovados temores sobre os rumos na economia mundial.

O noticiário doméstico sobre o futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL) também não tem ajudado a melhorar o apetite por risco. A intenção do presidente eleito de fatiar a reforma da Previdência é vista com certa desconfiança por parte dos investidores. O dólar engatou a segunda alta seguida, subindo 0,31%, e fechou em R$ 3,8672. Já o Ibovespa, principal índice de ações no País, rondou a estabilidade na maior parte do tempo e terminou o dia em alta de 0,47%, aos 89.039,79 pontos. Os negócios somaram R$ 8,5 bilhões.

Dólar

A moeda americana abriu os negócios em queda, mas o movimento não durou muito e o dólar passou a subir. Operadores relatam que a saída de fluxo de estrangeiros prosseguiu hoje, mesmo com o mercado parado nos Estados Unidos. Só este mês, houve saídas de líquida de US$ 12,987 bilhões em novembro pelo canal financeiro.

Para o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, ex-diretor do BC, o cenário externo mais desafiador vai exigir ainda mais urgência do novo governo para avançar com as reformas, especialmente a da Previdência. Sobre a intenção de fatiar a reforma, sinalizada na noite de ontem por Bolsonaro, Mesquita acha que faria sentido "não desperdiçar esse trabalho que já foi feito" por Michel Temer, que já tem proposta no Congresso. "O trâmite todo já foi realizado."  

O ex-diretor do BC ressalta que se esse texto do Temer for, ao menos em parte aproveitado, a reforma poderia ser aprovada em "março ou abril" de 2019. Já se Bolsonaro quiser ter um texto novo, com a tramitação do Congresso começando do zero, a aprovação só poderia vir a partir de "setembro ou outubro". No cenário externo, ele destaca que o crescimento mundial segue forte, mas está se desacelerando e o cenário está ficando mais nebuloso para os Estados Unidos.

Bolsa

Com o volume de negócios reduzido praticamente à metade da média, o Índice Bovespa teve um pregão morno e oscilou em intervalos não muito extensos.

Profissionais do mercado consideraram positivo o movimento do mercado doméstico nesta quarta-feira, uma vez que o noticiário recente não incentivava percepções otimistas. De um lado, as quedas das bolsas americanas na terça-feira continuaram a gerar efeitos nos índices asiáticos e europeus, com temores em relação ao comércio global e ao ritmo da economia americana. De outro, o clima com o cenário político foi de cautela, diante da falta de acordo em torno da cessão onerosa e da sinalização do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de que pode fatiar a reforma da Previdência. 

Para Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença corretora, o cenário doméstico não aponta mais para grandes alterações neste mês de dezembro, uma vez que o mercado considera improvável a votação da cessão onerosa nos próximos dias. Com isso, afirma, o Ibovespa somente terá fôlego para se sustentar acima da marca psicológica dos 90 mil pontos na hipótese de uma melhora de humor no mercado internacional, ou se o noticiário corporativo for capaz de conduzir o índice a esse novo patamar.

Segundo apurou o Broadcast Político, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, acertaram deixar as negociações do projeto de revisão da cessão onerosa para 2019. Pela manhã, a empresa divulgou seu plano estratégico e de negócios, que não chegou a interferir nos preços das ações. Ao final do pregão, Petrobras ON e PN tiveram ganhos de 0,60% e 0,87%, depois de terem alternado altas e baixas ao longo de todo o pregão, devido à instabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional. Já os papéis do setor financeiro, bloco de maior peso na composição do Ibovespa, tiveram desempenho fraco ao longo do dia, mas ganharam tração nos minutos finais de negociação. O destaque do dia foi Banco do Brasil ON, que subiu 1,01%. 

Com as bolsas de Nova York fechadas, um dos poucos destaques do dia foi a divulgação do Livro Bege, relatório do Federal Reserve sobre as condições da economia americana. Segundo o documento, os empresários do setor industrial nos Estados Unidos continuam a ter a questão das tarifas como uma preocupação. Mesmo com esse temor, a maioria dos distritos continua a reportar "crescimento moderado no setor".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.