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Dólar tem quarta alta consecutiva e fecha cotado a R$ 3,46

Cenário político conturbado no Brasil e a possibilidade de alta do juro nos EUA levaram a moeda para R$ 3,48 na máxima do dia

Paula Dias , O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 10h09

Atualizado às 17h30

SÃO PAULO - A aversão ao risco mais uma vez deu o tom dos negócios no mercado de câmbio e o dólar à vista fechou em alta de 0,26%, aos R$ 3,46, na sessão desta terça-feira, 4. Essa foi a quarta sessão consecutiva de valorização da moeda norte-americana, que acumula alta de 3,90% frente ao real no período. 

Pela manhã, com o cenário mais tranquilo na China e na Grécia, o mercado chegou a ensaiar uma realização de lucros, o que levou o dólar à mínima de R$ 3,433 (-0,52%), que não se sustentou. A divulgação da produção industrial de junho, que recuou 0,3% ante maio, ficou abaixo da mediana das estimativas (-0,80%), mas manteve os investidores pessimistas quanto à recuperação da economia. No acumulado do primeiro semestre, a produção industrial indica uma retração de 6,31%, o pior resultado para o período desde 2009.    

O cenário político conturbado foi outro fator de pressão no câmbio. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), discutiu com aliados uma manobra para pautar um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, sem se comprometer diretamente. A turbulência política mantém o clima de incerteza quanto à capacidade do governo de aprovar no Congresso as medidas necessárias para o ajuste fiscal e o cumprimento das metas fiscais para este e os próximos anos. 

No período da tarde, o dólar chegou à máxima de R$ 3,486 (+1,01%), influenciado pelas declarações do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, de que o banco central dos EUA "está perto de estar pronto a elevar as taxas de juros de curto prazo". Lockhart, que tem direito a voto nas reuniões do Federal Reserve, disse ainda que setembro pode ser um "momento apropriado" para elevar os juros. 

As declarações levaram a uma aceleração dos juros dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) e ao fortalecimento do dólar frente outras moedas, como o iene e o dólar canadense, além de divisas de países exportadores de commodities, como os pesos chileno e mexicano. 

Bolsa. A Bovespa não conseguiu dar sustentação à alta exibida pela manhã e terminou sua segunda sessão consecutiva em baixa, mas conseguiu se manter na casa dos 50 mil pontos. O setor financeiro foi preponderante para o recuo do índice. Por outro lado, Vale, Petrobrás e siderúrgicas exibiram bom desempenho e contrabalançaram o índice. 

O Ibovespa terminou a sessão em queda de 0,16%, aos 50.058,48 pontos. Na mínima, o índice registrou 49.827 pontos (-0,62%) e, na máxima, 50.574 pontos (+0,87%). No mês, acumula perda de 1,58% e, no ano, alta de 0,10%. O giro financeiro totalizou R$ 5,425 bilhões. 

Itaú Unibanco PN terminou com queda de 2,41%, prejudicada pelo seu balanço do terceiro trimestre. O desempenho do Itaú se refletiu no setor: BB ON perdeu 3,55%; Bradesco PN, -1,44%; Santander unit, -1,90%. Vale, por outro lado, terminou com ganho de 2,90% na ON e de 2,99%, na PNA. Petrobras, por sua vez, subiu 1,18% na ON e 1,60% na PN. (Com informações de Claudia Violante)


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