Dólar tem queda de 0,31% em dia de poucos negócios e especulações sobre a Fazenda

Desvalorização da moeda norte-americana também foi influenciada por cenário externo; fontes afirmam que presidente do Bradesco negou posto de Ministro da Fazenda

Márcio Rodrigues, Agência Estado

20 de novembro de 2014 | 17h27

Em um pregão com menos negócios, devido ao feriado do Dia da Consciência Negra, o dólar à vista no balcão terminou com queda diante do real. A desvalorização é uma continuidade do movimento de ontem e atribuída, sobretudo, às especulações sobre a indicação do próximo ministro da Fazenda.

Informações dão conta de que a presidente Dilma Rousseff teria convidado o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para a vaga. Na reta final, com rumores de que o executivo não aceitaria o convite, a moeda dos EUA desacelerou as perdas diante do real. Em meio a isso, o comportamento misto da divisa norte-americana em relação a outras moedas teve impacto pontual sobre os negócios.

Assim, o dólar no balcão teve desvalorização de 0,31%, cotado na máxima de R$ 2,572. O giro financeiro registrado na clearing de câmbio da BM&FBovespa foi de US$ 746 milhões. Na mínima, verificada no meio da tarde, a moeda dos EUA caiu 1,32%, a R$ 2,546.

Nesse ambiente de liquidez mais limitada, a divisa norte-americana caiu desde o começo do dia ante o real, em meio às especulações sobre o próximo ministro da Fazenda. Cotado para assumir a pasta, o presidente do Bradesco se reuniu ontem em Brasília com a presidente Dilma Rousseff, de acordo com informação publicada na edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo e mais cedo pelo Broadcast. No entanto, fontes próximas ao executivo do Bradesco disseram que Trabuco negou o convite de Dilma.

Trabuco agradaria ao mercado, mas o gerente de câmbio da Correparti Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa, destaca que os outros nomes que circulam também seriam bem recebidos. Até por isso, segundo ele, os agentes estão mais calmos e o dólar encontrou espaço para cair. "Mas o giro está muito fraco, pois o mercado fica sem referência, com as principais praças e a Bovespa fechadas. Assim, cada banco monta sua posição de acordo com seu interesse", pontuou.

Entre os cotados, ainda estariam Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo da Fazenda, e Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central. Correndo por fora, ainda surgem nomes como o de Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro.

No exterior, o dólar começou o dia com ganhos diante da maioria das moedas, mas foi perdendo força com no decorrer do pregão e caminhavam para um fechamento misto. Após o Fed, em sua ata conhecida ontem, demonstrar preocupação com o ritmo das economias europeias, além de China e Japão, os PMIs divulgados hoje, justamente dessas três regiões, suscitaram cautela entre os investidores, derrubando os yields dos Treasuries e encurtando o fôlego do dólar. Depois, no entanto, alguns indicadores positivos dos EUA voltaram a dar um pouco de fôlego para a moeda norte-americana.

Às 16h50, o dólar recuava 0,02% ante peso mexicano, perdia 0,38% ante o dólar australiano e caía 0,41% ante o canadense. O euro era cotado a US$ 1,2550, de US$ 1,2554 no fim da tarde de ontem.

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