DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Dólar vai a R$ 3,48 com cenário político conturbado e renova máxima em 12 anos

Moeda chegou a encostar em R$ 3,50 durante a sessão; dólar já acumula valorização de 4,77% em cinco altas consecutivas

Paula Dias, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 12h39

Atualizado às 17h20

SÃO PAULO - Em sua quinta sessão consecutiva de valorização frente ao real, o dólar à vista fechou cotado a R$ 3,489, com alta de 0,84%. A pressão sobre a moeda norte-americana é atribuída essencialmente à deterioração das percepções do mercado quanto à política e a economia do País, principalmente com a volta do recesso do Congresso. 

Com a quinta alta consecutiva, o dólar acumulou valorização de 4,77% e atingiu a maior cotação desde 10 de março de 2003. A moeda bateu 3,498 na máxima da sessão. O dia foi de valorização da moeda americana também no mercado internacional, com destaque para as moedas de países emergentes e exportadores de commodities. Mesmo assim, a valorização frente ao real foi uma das mais significativas.

O dia teve variadas discussões em torno da difícil relação do governo com o Congresso. Pauta-bomba, dificuldades do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, nas negociações com parlamentares e articulação para pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff são alguns dos ingredientes que azedam o humor dos investidores. 

Em declarações à imprensa, o vice-presidente Michel Temer, articulador político do governo, conclamou o Congresso a unificar o País. Diante do agravamento da crise econômica e política, Temer reconheceu que o cenário atual é "grave", mas, em uma fala emocionada, disse que "é preciso pensar no País acima dos partidos, acima do governo" e que não há como "trabalhar separadamente". 

Mais cedo, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que governo e oposição estão "no mesmo barco", referindo-se à necessidade de priorizar as questões relevantes para o País. "Precisamos de equilíbrio e bom senso e estamos todos no mesmo barco, que se chama Brasil", disse.

Nos trabalhos do Congresso, a expectativa do período da tarde foi a da votação em segundo turno da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 443. O texto vincula o teto dos subsídios de advogados públicos, defensores públicos e delegados das Polícias Federal e Civil a 90,25% do que recebem os ministros do STF.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, buscou contornar o estresse com a votação da PEC reafirmando a posição contrária do governo diante da proposta, que traria um custo adicional de R$ 2,454 bilhões por ano à folha de pagamentos

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