Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Dólar sobe e fecha cotado a R$ 3,68 com foco no cenário político

Bolsa devolveu parte da queda acumulada no início da semana e terminou com valorização de 0,87%

Paula Dias, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2016 | 12h10

Os mercados de ações e câmbio seguiram direções contraditórias nesta quinta-feira. Embora as ações tenham tido um dia de ganhos, o real se desvalorizou frente ao dólar. Em ambos os cenários, no entanto, as atenções continuaram concentradas essencialmente no cenário político. Em um dia de recuperação de perdas recentes, o Índice Bovespa fechou em alta de 0,87%, aos 48.513,10 pontos. Já o dólar avançou 1,24% sobre o real, sendo negociado a R$ 3,68.

Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a atingir os 48.940 pontos (+1,76%), num movimento atribuído principalmente à proximidade do vencimento de opções sobre o Ibovespa (13). Essa tese também justificaria a forte alta das ações da Petrobras, mesmo diante das perdas dos preços do petróleo no mercado internacional. A queda de 1,95% do Ibovespa na véspera também favoreceu uma recuperação das ações, segundo profissionais ouvidos pelo Broadcast.

O mercado de ações enxergou algum fortalecimento nas apostas no impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para isso, contribuíram notícias como a eleição de Gilmar Mendes para a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde tramita ação pela impugnação da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014. Complementa esse quadro a notícia de que executivos da Andrade Gutierrez afirmaram em delação premiada que a segunda maior construtora do País fez doações à campanha usando dinheiro de propina.

Atualização do levantamento realizado pelo Estado mostra que o número de votos a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff está em 271 e os votos contra subiram para 112. Neste momento, há ainda 66 indecisos e 64 não responderam. O deputado Arnon Bezerra (PTB-CE), que estava indeciso, manifestou-se contra.

Mas as notícias do dia não animaram o mercado de câmbio, onde a redução das apostas no impedimento voltou a incentivar a compra de dólares. Pesa a percepção de que as articulações do governo para sustentar o mandato de Dilma possam de fato surtir efeito. Além disso, há ainda dúvidas quanto ao eventual substituto da presidente, uma vez que, por determinação do STF, será formada uma comissão para analisar o pedido de impeachment do vice Michel Temer.

Em meio a estas incertezas, o dólar subiu durante todo o dia. Na mínima da sessão, às 9h54, marcou R$ 3,6484 (+0,22%) e, na máxima, às 13h19, atingiu R$ 3,7130 (+1,99%). 

Pela manhã, o Banco Central também realizou leilão de até 20 mil contratos de swap cambial reverso (US$ 1 bilhão), em operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. No entanto, apenas 8,5 mil contratos (US$ 422,8 milhões) foram colocados. No fim da manhã, a instituição vendeu outros 5,5 mil contratos de swap tradicional (US$ 268 milhões) para rolagem dos vencimentos de maio.

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