Dólar vai na contramão do exterior e abre em baixa

Dólar à vista abriu  a R$ 2,007 (-0,15%) no balcão, oscilando em seguida entre R$ 2,005 (-0,25%) e R$ 2,010

Silvana Rocha, da Agência Estado,

14 de maio de 2013 | 10h12

O mercado de câmbio doméstico abriu nesta terça-feira, 14, com o dólar em baixa, na contramão do exterior. Bancos, investidores estrangeiros e exportadores principalmente estão puxando as vendas antecipadas de dólares, prevendo novos ingressos financeiros e pela via comercial no curto prazo. Os catalisadores dessa expectativa são a megacaptação externa de US$ 11 bilhões fechada na segunda-feira, 13, pela Petrobras e a continuidade das exportações da safra de grãos, afirmaram operadores de câmbio ouvidos pelo Broadcast, o serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

O dólar à vista abriu a sessão cotado a R$ 2,007 (-0,15%) no balcão e, em seguida, oscilou entre uma mínima de R$ 2,005 (-0,25%) e uma máxima, a R$ 2,010 (estável). No mercado futuro, às 9h43, o contrato de dólar para junho de 2013 caía 0,15%, a R$ 2,0125, após iniciar a sessão a R$ 2,0150 (-0,02%). Até esse horário, esse vencimento da moeda norte-americana oscilou de R$ 2,0115 (-0,20%) a R$ 2,0160 (+0,03%).

Alguns agentes de câmbio ouvidos pelo Broadcast disseram que há perspectiva de ingressos no mercado interno no curto prazo, ainda que parciais, dos recursos captados pela estatal brasileira de petróleo, dadas as necessidades financeiras atuais da companhia. Na segunda-feira, 13, o dólar à vista já fechou em baixa, de 0,84%, a R$ 2,0100 no balcão, refletindo essa previsão.

Devido ao grande volume da captação, a Petrobras deve observar o melhor momento para a internalização dos recurso, que deve ser monitorada pelo Banco Central. "O BC não vai deixar que esses ingressos provoquem oscilações abruptas na formação de preço da taxa de câmbio. É preciso monitorar a postura da autoridade monetária", disse o gerente da Correparti, de Curitiba, João Paulo de Gracia Corrêa.

Para um operador de tesouraria de um banco, essa operação também pode estimular outras empresas brasileiras a captar recursos no mercado internacional e, principalmente, deve atrair mais exportadores para a ponta vendedora, por causa da expectativa de queda do dólar.

A captação de US$ 11 bilhões da petroleira em bônus no mercado internacional é a maior já feita por uma companhia com sede em mercados emergentes, segundo uma fonte próxima ao negócio. O objetivo é levantar recursos para viabilizar seu ambicioso plano de investimento, que contempla desembolsos de US$ 236,5 bilhões até 2017.

A companhia ofereceu aos investidores seis tipos de bônus em dólar, com vencimentos entre três e trinta anos. Segundo fontes, a demanda pelos títulos da Petrobras chegou a US$ 45 bilhões. Já o custo da operação caiu. O prêmio exigido pelos investidores para comprar os papéis da companhia nas quatro parcelas com juros fixos ficou cerca de 60 pontos básicos abaixo da operação fechada em fevereiro de 2012. A captação prevê ainda outras duas parcelas com remuneração pós-fixadas e vencimento em 2016 e 2019.

No início do ano, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, adiantou que a meta era levantar cerca de US$ 20 bilhões em emissões de dívida e empréstimo bancários ao longo de 2013. A emissão de segunda-feira, 13, se soma aos US$ 7 bilhões já captados pela estatal este ano fora do mercado de capitais.

Corrêa, da Correparti, disse ainda que o aumento do superávit comercial do País na segunda semana deste mês também favorece o ajuste de baixa da moeda norte-americana. "As exportações da safra de grãos estão em andamento e mais dólares devem ser internalizados no curto prazo", avaliou.

A balança comercial brasileira registrou na segunda semana de maio um superávit de US$ 695 milhões, resultado de exportações no valor de US$ 5,278 bilhões e importações de US$ 4,583 bilhões. Nas duas primeiras semanas de maio, o superávit comercial brasileiro foi de US$ 1,104 bilhão, com vendas de US$ 7,588 bilhões e compras de US$ 6,484 bilhões. No ano, porém, a balança ainda computa déficit de US$ 5,047 bilhões, com exportações de US$ 79,056 bilhões e importações, de US$ 84,103 bilhões.

Pode pesar ainda para esse movimento o interesse de bancos e investidores no enfraquecimento do dólar. Esses agentes financeiros carregam uma exposição vendida líquida em cupom cambial-DDI e dólar futuro, porque apostam que a moeda dos EUA deve cair. A exposição vendida líquida dos bancos gira em torno de US$ 4,8 bilhões, enquanto que a dos estrangeiros está em cerca de US$ 7,6 bilhões.

No mercado internacional, a perspectiva de que o Federal Reserve poderá começar a retirar os estímulos à economia em algum momento ainda neste ano cresceu ontem, após a alta de 0,1% nas vendas no varejo dos EUA em abril, ante previsão de queda de 0,4%. Além disso, a confiança em queda na Alemanha anulou o dado positivo de produção industrial da zona do euro, ambos anunciados nesta terça-feira, 13.

Em Nova York, o dólar oscila ao redor da estabilidade, com leve viés de alta em relação ao euro e de queda diante do iene. Às 9h36, o euro estava em US$ 1,2958, de US$ 1,2975 no fim da tarde de segunda-feira, 13.. O dólar era cotado a 101,78 ienes, de 101,82 ienes na véspera. Ante moedas correlacionadas a commodities, o dólar norte-americano exibia altas ante o dólar australiano (+0,57%), o dólar canadense (+0,52%), o peso chileno (+0,37%), o peso mexicano (+0,07%) e o dólar neozelandês (+0,45%).

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