Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar volta a cair, fecha a R$ 3,23 e já acumula desvalorização de 10% no mês

Variação da moeda americana é influenciada pelos cenários interno e externo, com sinalização do presidente do BC brasileiro de menor intervenção no câmbio e ações para dar liquidez ao mercado europeu após a saída do Reino Unido da UE

O Estado de S.Paulo

29 Junho 2016 | 10h17
Atualizado 30 Junho 2016 | 07h35

 
Desde julho de 2015, os brasileiros não viam a moeda americana chegar a um patamar tão baixo como o de ontem. O dólar encerrou a sessão dessa quarta-feira com queda de 2,04%, cotado a R$ 3,237. Uma combinação de fatores internos e externos fez com que, nos últimos dois dias, a moeda americana recuasse 4,5%. Em junho, a queda já chega a 10,35% e começa a preocupar exportadores. 

Internamente, o mercado tem sido influenciado pelas ações e declarações da nova equipe econômica. Na terça-feira, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, sinalizou uma intervenção menor no câmbio e a manutenção da taxa Selic - hoje em 14,25% ao ano - por um período mais prolongado. 

“As declarações do Ilan deixaram mais claro que o intervencionismo cambial deverá ser menos provável”, afirma Silvio Campos, economista da Tendências Consultoria Integrada. 

No cenário internacional, as ações dos bancos centrais após a saída do Reino Unido da União Europeia para segurar a valorização do dólar e a indicação de que o Fed, banco central americano, vai adiar o aumento da taxa de juros, ajudaram na valorização da moeda brasileira. 

Profissionais de mercado já veem espaço para que o fluxo de recursos para o Brasil siga positivo no curto prazo, o que poderia colocar o dólar em patamar mais perto dos R$ 3,00. Em junho, a entrada de dólares voltou a superar a saída, e ficou positiva em US$ 1,87 bilhão, segundo dados divulgados ontem pelo BC. “Com o diferencial de juros em alta, além do avanço das commodities, que mostra que a China não está tão mal, o dólar pode cair aos R$ 3”, previu o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior. Segundo ele, com a presidente afastada Dilma Rousseff saindo definitivamente, a perspectiva é de que recursos sejam direcionados ao Brasil.

 

Com esse cenário, o Bradesco revisou sua previsão para o dólar ao final de 2016, de R$ 3,60 para R$ 3,20. Para o “curtíssimo prazo”, a instituição prevê que a moeda pode chegar a R$ 3,09. A Tendências deve reduzir a projeção de um dólar de R$ 3,72 para algo próximo a R$ 3,50.

Comércio exterior. A valorização do real já preocupa os exportadores. A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) deve reduzir a projeção de superávit comercial deste ano, de US$ 50 bilhões para US$ 45 bilhões. “Esse câmbio pode ter reflexo no fim do ano porque novas operações devem ser repensadas”, diz José Augusto de Castro, presidente da AEB. 

Em Washington, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Daniel Godinho, afirmou que o câmbio não deverá retomar aos patamares de 2014. Segundo ele, o nível registrado no último ano é suficiente para sustentar as exportações. “A informação que temos do setor privado é a de que o patamar cambial do último ano, com as oscilações naturais, é suficiente para sustentar a atividade exportadora.” / LUIZ GUILHERME GERBELLI, FABRÍCIO DE CASTRO, CÉLIA FROUFE E CLÁUDIA TREVISAN

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