Reuters
Reuters

Com tensão sobre meta fiscal, dólar sobe e fecha próximo a R$ 3,20

Impulsionada por mercado externo, Bolsa fecha em alta de 1,37%; anúncio de revisão do déficit de 2017 fica para depois

Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2017 | 10h05

O dólar acelerou os ganhos ante o real, após a notícia de que o anúncio das novas metas fiscais para 2017 e 2018 – que era esperado para hoje – seria adiado novamenteNo mercado à vista, o dólar terminou em alta de 0,65%, aos R$ 3,1998. 

Fatores externos também influenciaram no movimento altista. A redução das ameaças entre os EUA e a Coreia do Norte melhorou o humor lá fora e aumentou o apetite por risco, levando a moeda americana a avançar ante moedas consideradas porto seguro, como o iene e franco suíço. Além disso, dados abaixo do esperado na China penalizaram as divisas ligadas a commodities, assim como a queda de mais de 2% do petróleo.

Esperado para hoje, o anúncio das novas metas fiscais para 2017 e 2018 ficou para depois. Entre os motivos está que a equipe econômica quer ter nas mãos o número mais exato possível para evitar qualquer necessidade de novas mudanças. Diante das incertezas, o mercado seguiu cauteloso em meio a rumores de que o valor possa chegar a R$ 189 bilhões neste ano, com algumas apostas focadas em R$ 170 bilhões. O Estadão/Broadcast apurou que o governo poderá anunciar revisões dos déficits primários para R$ 159,5 bilhões, equivalentes ao rombo registrado em 2016. Até agora, a equipe econômica trabalhava com metas menores de déficit para este ano (R$ 139 bilhões) e R$ 129 bilhões em 2018.

"Estas são discussões bastante complexas e envolvem uma série de questões. Não basta simplesmente anunciar a meta e perspectivas para 2017. Envolvem vendas de concessões de aeroportos, hidrelétricas, além de outras coisas", ponderou o analista-chefe da Rico, Roberto Indech.

Bolsa.  O abrandamento da tensão geopolítica restaurou o apetite por risco no mercado internacional nesta segunda-feira, o que claramente beneficiou a Bolsa brasileira. A valorização robusta das bolsas norte-americanas foi fundamental para impulsionar o Índice Bovespa, que fechou em alta de 1,37% e atingiu os 68.284,66 pontos, depois de ter flertado com uma leve baixa pela manhã. A alta expressiva, no entanto, não teve correspondência no volume de negócios, que permaneceu próximo da média diária de agosto, com totalizando R$ 7,7 bilhões.

A alta do Ibovespa foi determinada pelas "blue chips" do mercado nacional, com destaque para bancos, Petrobrás e Vale. Segundo analistas, a demanda por essas ações é uma das evidências do apetite do investidor estrangeiro pelos papéis brasileiros. No caso da Vale, contribuiu ainda o processo de conversão das ações preferenciais em ordinárias, que agrada o mercado pelo ganho de qualidade para a empresa e acionistas. Mesmo com o minério de ferro em baixa, Vale ON fechou com ganho de 1,62%. Já Petrobras ON e PN subiram 0,67% e 1,00%, mesmo com o petróleo registrando baixas superiores a 2,5% nos futuros de Nova York e Londres.

"O que mandou hoje na Bolsa foi o fluxo, a partir da consolidação da melhora do mercado externo. A alta das blue chips é basicamente reflexo dessa maior liquidez para ativos de risco", disse Luís Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos. Segundo o profissional, esse apetite por risco acabou por colocar em segundo plano as preocupações com a questão fiscal, embora elas permaneçam no pano de fundo, com potencial para influenciar os negócios.

As especulações em torno da revisão das metas fiscais de 2017 e 2018 voltaram a rondar as mesas de negociação, mas em menor proporção em relação ao ocorrido na tarde da última sexta-feira. Durante todo o dia, os mercados aguardaram o anúncio dos novos números de déficit fiscal, que até o final da tarde não havia sido feito. Enquanto isso, diferentes cifras para os déficits deste e do próximo ano foram ventilados.

"O mercado observa o noticiário, acompanha o embate entre equipe econômica e política em torno da revisão de metas, mas a verdade é que nada aconteceu hoje. Com isso, a Bolsa teve espaço para ingressar no movimento dos mercados internacionais, onde houve redução da tensão entre Estados Unidos e Coreia do Norte, aumentando o fluxo para emergentes", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora.





O ritmo de alta, porém, diminuiu ainda durante a manhã. Às 15h30, a moeda era cotada a R$ 3,1798 (+ 0,02%). Na mesma faixa horária, o Índice Bovespa, principal indicador do mercado brasileiro de ações, subia 1,49%, a 68.369 pontos. A máxima foi registrada às 12h30, quando o indicador marcou 68.591 pontos, em alta de 1,82%.

Na sexta-feira, o dólar à vista fechou com leve alta, aos R$ 3,1791, abaixo da cotação final do dólar setembro, aos R$ 3,2055. Por isso, os sinais estão divergentes até o momento, disse um operador de uma corretora. Os investidores estão na expectativa pelo anúncio das novas metas fiscais para 2017 e 2018 e de medidas de cortes de gastos pelo governo brasileiro.

+ Governo deve anunciar hoje mudança da meta fiscal

No mercado de ações, a influência positiva dos índices no exterior prevaleceu nesse início de pregão no Brasil. O Ibovespa abriu estável, sem direção clara, mas passou a subir ainda durante a manhã. "O que fez e ainda pode fazer a Bolsa cair hoje é o [noticiário] doméstico. O exterior está positivo. A discussão sobre a meta fiscal para esse ano e os próximos preocupa", afirma um profissional de renda variável.

Lá fora, o ambiente de negócios melhorou com alta das bolsas, dos juros dos Treasuries e do dólar ante divisas principais e algumas emergentes. No entanto, as commodities recuam na esteira dos últimos números chineses de produção industrial, vendas no varejo e de investimentos em ativos fixos, que vieram abaixo das expectativas.

A indústria da China, por exemplo, produziu 6,4% mais em julho do que em igual mês do ano passado, de acordo com dados publicados no fim da noite de ontem, mas analistas consultados pelo Dow Jones Newswires previam acréscimo de 7%. Já no varejo, as vendas cresceram 10,4% na comparação anual de julho, ante projeção de ganho de 10,9%. 

Mais conteúdo sobre:
Dólar Câmbio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.