Dólar volta a recuar ante o real e fecha a R$ 2,0810

 Busca por moedas de países exportadores de commodities abriu espaço para a queda da moeda americana nesta terça-feira

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

27 de novembro de 2012 | 17h30

A busca por moedas de países exportadores de commodities, verificada principalmente durante a manhã desta terça-feira abriu espaço para a queda do dólar ante o real. A moeda americana, que na segunda já havia registrado leve queda, voltou a cair no balcão e fechou o dia cotada a R$ 2,0810, em baixa de 0,05%. Profissionais afirmaram que, além da influência externa, em um cenário de acordo sobre a Grécia e notícias positivas sobre a China, o mercado segue operando sob a sombra da última atuação do Banco Central (BC), na sexta-feira, quando um leilão de swap cambial tradicional (equivalente à venda de moeda no mercado futuro) estancou a trajetória de alta da divisa americana ante o real.

Na máxima do dia, verificada na abertura da sessão, o dólar no balcão foi cotado a R$ 2,0820 - mesmo valor do fechamento de segunda-feira. Na mínima, vista por volta das 10h40 da manhã, a moeda atingiu R$ 2,0720 (-0,48%). Pouco depois das 16h30, o giro financeiro à vista somava US$ 1,455 bilhão (US$ 1,395 bilhão em D+2) - um volume inferior ao visto na segunda-feira quando o giro total à vista ficou acima de R$ 2 bilhões. Na BM&F, o dólar pronto fechou em baixa de 0,32%, a R$ 2,0758, com dez negócios. Às 16h42, o dólar para dezembro de 2012 era cotado a R$ 2,0815, com baixa de 0,05%, após marcar durante o dia mínima de R$ 2,0725.

"Hoje, nós tivemos um movimento vendedor de dólares e de compra de moedas de países emergentes, como o dólar australiano, o peso mexicano e o real brasileiro", destacou Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora. "Mas é importante lembrar que o recuo forte mesmo se deu com a entrada do Banco Central no mercado, na sexta-feira, mostrando claramente que não deixaria o dólar subir mais", acrescentou.

No exterior, os investidores reagiram ao acordo dos credores sobre a Grécia. Se por um lado decidiu-se pela redução da dívida do país para o nível sustentável de 110% do PIB até 2022, incluindo a extensão dos vencimentos dos empréstimos internacionais, o corte nas taxas de juros que o governo paga e a recompra de dívida, por outro lado o recebimento da próxima parcela de ajuda seguiu indefinido. O acordo abriu caminho para a Grécia receber 43,7 bilhões de euros. No entanto, o Eurogrupo alertou que isso dependerá da implementação pela Grécia das determinações da troica, incluindo a realização de uma reforma fiscal até janeiro.

Já a China aprovou investimentos estimados em 160 bilhões de yuans (US$ 25,5 bilhões) para construção de metrôs e ferrovias em quatro cidades do país no mês de novembro, o que pode indicar uma aposta para fortalecer a recuperação da economia. Os Estados Unidos, por sua vez, seguem mergulhados na expectativa quanto à situação de abismo fiscal que, em janeiro, pode atingir o país, caso o Congresso não chegue a um acordo sobre a renovação de incentivos dados à economia.

Neste contexto, os movimentos no exterior foram titubeantes e, à tarde, o dólar havia voltado a registrar ganhos ante outras divisas de países emergentes, apesar de contidos. No caso do real, a moeda americana permaneceu registrando perdas. "O acordo na Grécia diminuiu um pouco da pressão sobre o real e mesmo as moedas de países emergentes operavam muito próximas da 'linha d'água'", comentou à tarde um profissional do mercado. Nos próximos dias, ficarão no radar, além do cenário externo, o próprio vencimento dos contratos de swap reverso, em 3 de dezembro, a briga entre "comprados" e "vendidos" para determinação da Ptax no fim de mês e o próprio fluxo cambial, que pode indicar aceleração das remessas para o exterior na passagem de novembro para dezembro.

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