Márcio Fernandes/Estadão
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Rebaixamento pela Moody's pesa para a Bolsa, mas tem efeito menor sobre o dólar

Bovespa terminou o dia com perdas de 1,03%, após registrar baixa de mais de 3% durante o pregão; dólar encerrou a sessão cotado a R$ 3,95

Suzana Inhesta, Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2016 | 09h52
Atualizado 24 Fevereiro 2016 | 19h40

O principal índice da BM&FBovespa, o Ibovespa, amenizou as perdas registradas nas primeiras horas do pregão com a melhora do cenário externo, mas ainda assim fechou em território negativo nesta quarta-feira, 24, puxado pelo comportamento das ações mais negociadas. A perda do grau de investimento pela única agência que ainda conferia o selo de bom pagador ao País, a Moody's, pesou no índice até o final do pregão. 

O Ibovespa chegou a cair um pouco mais de 3% no meio do dia, mas no início da tarde, com a reversão do sinal negativo do petróleo e um pouco mais tarde das bolsas internacionais, a queda ficou menos acentuada. O índice fechou com recuo de 1,03%, aos 42.084,56 pontos, com giro financeiro de R$ 4,786 bilhões (dados preliminares). A mínima foi de 41.211 pontos (-3,08%) e, a máxima, de 42.521 pontos (0%). No mês, o ganho chega a 4,16% e, no ano, a queda é de 2,92%.

"O dia começou com o humor mais negativo no mercado acionário brasileiro, vindo do mercado externo e commodities, mas ao longo do dia com a recuperação do petróleo, melhorou", explica o analista da Guide Investimentos, Rafael Yassuo Ohmahi. Segundo ele, o desempenho dos papéis de Vale e Petrobras pressionaram o índice. No caso de Vale, o especialista ressalta que os papéis seguiram o comportamento de seus pares, como Rio Tinto e BHP, que também apresentaram recuos. Vale ON caiu 5,41%, enquanto a PNA diminuiu 4,44%. 

Já Petrobrás, cujos papéis recuaram 0,71% (ON, ações com direito a voto) e 1,02% (PN, preferência no recebimento de dividendos), teve influência ainda de notícias negativas, como o processo da multa na Justiça dos Estados Unidos e a expectativa sobre a decisão do Senado sobre o projeto de lei do pré-sal. De autoria do senador José Serra (PSDB-SP), o projeto desobriga a Petrobras de ser a operadora única e ter participação mínima de 30% na exploração da camada do pré-sal. A proposta está em discussão no plenário do Senado esta tarde e, em breve, deve ir à votação. 

Sobre a decisão da Moody's, que rebaixou a nota do País em dois graus de uma só vez, para Ba2, em grau especulativo, e perspectiva negativa, operadores de mercado analisaram que, mesmo sendo esperada, o corte de dois graus foi uma surpresa. "Não podemos desprezar o efeito negativo da decisão da Moody's nos negócios na Bolsa. Aliada à situação política e econômica ruim, não há força para o Ibovespa mudar de sinal. Se amanhã continuar um otimismo no cenário externo, há chances do índice operar em terreno positivo", afirmou um operador que preferiu não se identificar. 

Dólar. O dólar perdeu força ante o real e terminou a sessão em baixa. Como o rebaixamento do País já era esperado, investidores venderam a moeda americana à tarde, em sintonia com o exterior, onde o dólar também passou a cair ante várias divisas de exportadores de commodities e emergentes. O dólar à vista terminou em queda de 0,17%, aos R$ 3,9576.   

O início do dia, no entanto, foi de pressão. Além de o petróleo estar em queda no exterior, penalizando as divisas de exportadores, a Moody's anunciou o corte da nota de crédito do Brasil. A reação imediata à Moody's foi de alta para o dólar, ainda que o exterior fosse em grande parte responsável pelo movimento. Na máxima do dia, às 11h37, o dólar à vista marcou R$ 4,0071 (+1,08%).   

À tarde, o cenário começou a mudar. Além de o efeito da Moody's ter arrefecido, dados divulgados nos EUA fizeram o petróleo virar para o positivo, o que tirou força do dólar em todo o mundo. 

Vídeo: Como a variação do dólar afeta a vida do brasileiro

O Departamento de Energia dos EUA informou que os estoques de petróleo bruto cresceram 3,502 milhões de barris na semana passada, acima dos 2,4 milhões esperados. No entanto, os estoques de gasolina caíram 2,236 milhões de barris, mais que o recuo de 300 mil esperados, enquanto os de destilados cederam 1,66 milhão de barris, mais que a previsão de 700 mil de baixa.  

Alguns números sobre a economia norte-americana, anunciados no fim da manhã, também justificaram a virada do dólar do positivo para o negativo em várias praças. O PMI de serviços (preliminar) do país recuou 53,2 em janeiro para 49,8 em fevereiro e a venda de moradias novas caiu 9,2% em janeiro, no nível mais baixo desde outubro.  

Assim, o dólar à vista virou para o negativo ante o real e renovou mínimas em vários momentos da tarde, atingindo o menor valor do dia às 16h45 (R$ 3,9473, -0,43%). Depois, reduziu um pouco as perdas até encerrar nos R$ 3,9576.

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