Clayton de Souza/ AE
Clayton de Souza/ AE

Dólar volta a subir e se aproxima de R$ 4 com temor de recessão mundial

No mercado de ações, o Ibovespa fechou em alta de 0,6%, puxado pelo setor financeiro

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 18h25

O dólar voltou a subir nesta quarta-feira, 7, após interromper na terça-feira uma sequência de seis altas consecutivas. Na contramão de outros ativos domésticos, que tiveram dia de melhora, a moeda americana fechou em alta de 0,49%, a R$ 3,9743, voltando ao maior nível desde 30 de maio.

Em meio às percepções sobre a guerra comercial e o ritmo da economia global, o dia foi de alternância de sinais nas bolsas americanas e na brasileira. O índice Bovespa chegou a cair 1,65% pela manhã, mas ganhou fôlego gradativamente à tarde e acabou em alta de 0,61%, aos 102.782,37 pontos.

Bancos lideram na Bolsa

A alta no mercado de ações brasileiro foi puxada essencialmente pelas ações do setor financeiro, que já mostravam desempenho melhor que a média desde cedo, mas ganharam maior impulso à tarde. A melhora da recomendação de bancos brasileiros promovida pela manhã foi apontada por analistas e operadores como combustível para as ordens de compra. Ao final dos negócios, Itaú Unibanco PN subiu 3,69% e as units do Santander ganharam 2,86%. O Índice Financeiro (IFN) avançou 2,13%, na máxima do dia, muito à frente dos demais índices setoriais da B3.

"As ações do setor financeiro subiram devido à elevação de compra feita pelo Morgan Stanley a Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. Então o mercado, que já havia penalizado esses papéis após a divulgação dos balanços, indo em busca de ações que estavam descontadas e não haviam divulgado balanço. Com a recomendação de hoje, o fluxo voltou para as ações de bancos e houve falta de vendedores", disse Vitor Miziara, gestor da Criteria Investimentos.

Indústria alemã desaponta

Novamente foram eventos no exterior que ditaram o comportamento do câmbio. A quarta-feira foi marcada por renovadas preocupações de recessão na economia mundial, após indicadores fracos da indústria na Alemanha e três bancos centrais asiáticos cortarem juros, alguns deles de forma inesperada. Somente este mês, o dólar já acumula alta de 4%.

Juros em queda no mundo

O gestor da Rosenberg Asset, Eric Hatisuka, prevê nova rodada de cortes de juros mundo afora, inclusive como um instrumento para permitir a desvalorização das moedas locais e fazer face à queda da divisa chinesa. Só nesta quarta-feira, três bancos centrais reduziram juros, Nova Zelândia, Tailândia e Índia. Nesse ambiente, as moedas dos emergentes devem seguir enfraquecidas.

Disputa entre EUA e China continua no radar

O dólar à vista chegou a bater em R$ 3,9927 na máxima do dia. No mercado futuro, a moeda foi a R$ 4,00 e profissionais do mercado não veem muito espaço de melhora pela frente, na medida em que a disputa comercial entre a China e os Estados Unidos não deve se resolver no curto prazo. "Os mercados estão precificados para o pior", ressalta em relatório nesta quarta-feira o grupo financeiro holandês ING, que vê a relação entre as duas maiores economias do mundo piorando antes de melhorar.

Para Hatisuka, a tensão comercial entre China e EUA pode perdurar até ao menos as eleições presidenciais americanas do ano que vem, em novembro. Se Trump for reeleito, pode durar ainda mais. Nesse ambiente, o mercado vai ter que lidar com a crescente incerteza e o risco de a qualquer momento um tuíte de Trump mudar o cenário.

O ganho do Ibovespa só não foi maior devido ao comportamento ainda negativo de ações ligadas a commodities. Os temores relacionados à guerra comercial entre Estados Unidos e China e a possibilidade de uma recessão em níveis globais derrubou os preços das matérias-primas. O petróleo, que chegou a cair mais de 5%, terminou o dia em queda no patamar dos 2%. Com isso, Petrobrás ON e PN perderam 0,95% e 1,08%, nesta ordem.

 

 

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