Dólar volta a superar os R$ 2,30 após dois meses

Desde 6 de setembro a moeda americana não passava desse teto; cotação final desta quinta foi de R$ 2,306, em alta de 1,05% 

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

07 de novembro de 2013 | 17h13

O dólar voltou a romper a barreira dos R$ 2,30 nesta quinta-feira, 7, após forte alta durante o pregão. Isso não acontecia desde o dia 6 de setembro.

O movimento foi influenciado, principalmente, pelos dados positivos do Produto Interno Bruto (PIB ou produção de bens e serviços) dos EUA no terceiro trimestre. A interpretação é de que, com esses dados positivos, os Estados Unidos agora podem cogitar dar início a retirada, pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), dos incentivos à economia do país. 

A autoridade monetária americana tem despejado, por mês, US$ 85 bilhões nos mercados de todo o mundo com a compra de títulos. Além disso, mentêm os juros locais em 0%. Sem esse dinheiro desembocando em mercados de juros mais rentáveis (elevados), como é o caso do Brasil e de outros países emergentes, a tendência é que o dólar recupere a força perdida ante moedas como o real. A qualquer sinal de que o plano de afrouxamento monetário dos Estados Unidos possa acabar, isso já tem acontecido.   

O dólar à vista negociado no mercado de balcão fechou em alta de 1,05%, cotado a R$ 2,3060. Esta é a primeira vez que a moeda encerra uma sessão acima de R$ 2,30 desde 6 de setembro deste ano, quando marcou R$ 2,3070.

A moeda americana até chegou a oscilar em baixa pela manhã, após o Banco Central Europeu (BCE) reduzir sua taxa básica de juros de 0,50% para 0,25% ao ano, favorecendo a busca por moedas como o real. Mas o PIB americano fez o dólar ultrapassar os R$ 2,30 no balcão.

Na mínima do dia, vista às 11h01, o dólar atingiu R$ 2,2730 (-0,39%) e, na máxima, verificada às 16h25, marcou R$ 2,3070 (+1,10%), ajudado ainda por um fluxo de saída de dólares do país na reta final dos negócios. Da mínima para a máxima, a moeda oscilou +1,50%.

Pela manhã, após abrir em alta, a moeda chegou a oscilar em baixa ante o real, depois do BCE reduzir sua taxa de juros, surpreendendo boa parte do mercado. Essa perspectiva de maior liquidez favoreceu a busca por moedas emergentes como o real, o que fez o dólar recuar. No fim da manhã, porém, os EUA informaram que o dado preliminar do PIB apontou crescimento anual de 2,8% no terceiro trimestre deste ano, acima dos 2,0% previstos pelo mercado.

Este avanço - apesar de posteriormente relativizado por alguns analistas - deu força ao dólar ante o real, em meio à percepção de que uma economia mais forte eleva as chances de o Fed começar a reduzir seus estímulos já em dezembro. Por esta lógica, se o BC americano diminuir suas compras mensais de bônus, haverá menos dólares no mundo, o que dá força à moeda americana.

"O PIB americano motivou a alta do dólar no mundo inteiro e no Brasil não foi diferente", comentou um profissional da mesa de câmbio de um banco. "Quando o dado do PIB saiu (às 11h30), não fez tanto efeito por causa da Ptax, que ainda não havia fechado. O mercado ainda estava influenciado pelos R$ 500 milhões do leilão de swap pela manhã. Quando a Ptax fechou, o dólar passou a subir mais livremente", acrescentou. Mais cedo, o BC vendeu 10 mil contratos de swap cambial (equivalente à venda de moeda no mercado futuro) dentro de seu estratégia de intervenções diárias, injetando US$ 496,6 milhões no sistema.

No Brasil, como vem ocorrendo nas sessões mais recentes, a pressão de alta para o dólar foi superior à vista no exterior, em função da desconfiança do mercado em relação à condução da economia. "O mercado está se antecipando à retirada de estímulos nos Estados Unidos. E o fluxo cambial (para o Brasil) que se esperava não se tornou realidade, porque o cenário ruim para o País é muito evidente", afirmou Sidney Nehme, sócio da NGO Corretora.

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