Donos da Gol e AIG compram petroquímica em Curitiba

Os irmãos Constantino, donos da companhia aérea Gol, fecharam, em sociedade com o fundo de private equity americano AIG, a compra da Providência, empresa do ramo petroquímico, com sede em Curitiba. O valor da operação está avaliado em R$ 1 bilhão.Os irmãos Constantino entraram como investidores financeiros, com aproximadamente 30% do total da operação. A AIG também investiu cerca de 30% e outros dois investidores entraram com o restante.O negócio estava para ser assinado entre a noite de sexta e a manhã de sábado. A expectativa é de que a empresa anuncie a venda oficialmente nesta segunda-feira. ?Só vamos nos pronunciar na segunda-feira. É um passo importante que estamos dando?, diz Wagner Carvalho, diretor do grupo Providência.O relacionamento da Gol e da AIG começou há três anos, quando o fundo americano comprou cerca de 20% da companhia aérea brasileira por US$ 26 milhões. Quando a empresa abriu seu capital, no ano seguinte, o fundo levantou uma bolada, estimada pelo mercado em US$ 200 milhões.O investimento da família Constantino na Providência saiu de uma holding controlada pelos filhos de seu Constantino de Oliveira, conhecido como Seu Nenê. Os quatro filhos homens - Constantino Junior (presidente da Gol), Henrique, Joaquim e Ricardo - também controlam a companhia aérea e têm, cada um, patrimônio pessoal avaliado em US$ 1,1 bilhão, segundo a lista de bilionários da Forbes. Os quatro ocupam o 698º lugar no ranking da publicação americana, que contabilizou 793 bilionários. O mais novo, Henrique, de 34 anos, está entre os 11 bilionários mais jovens do mundo.De acordo com uma fonte envolvida no negócio, Seu Nenê, que aos 74 anos participa ativamente das decisões estratégicas da Gol, não teve nenhum envolvimento na aquisição da Providência. ?Foi um investimento dos filhos?, diz a fonte. Recentemente, os quatro irmãos, cujas idades variam de 34 a 41 anos, adquiriram um jato executivo de última geração. Fontes próximas à família contam que o pai, que fez fortuna com empresas de ônibus, é o único que viaja de Gol.Empresa de tecnologia de ponta, a Providência faturou R$ 495,8 milhões em 2005, com um lucro de R$ 103,8 milhões no ano. O objetivo dos investidores é fazer a empresa crescer ainda mais para, num futuro próximo, promover uma abertura de capital pulverizado, aos moldes das Lojas Renner.A Providência tem como principal negócio a produção do material chamado não-tecidos, usado em fraldas, lenços umedecidos, absorventes e roupas hospitalares. A empresa também produz tubos e conexões e embalagens flexíveis. ?A Providência é a maior produtora de não-tecido da América Latina e uma das maiores do mundo. O seu grande diferencial é tecnológico. A empresa é um primor em termos de equipamentos?, diz José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Suzano Petroquímica.A Providência destina a maior parte de sua produção ao mercado externo e investe cerca de US$ 35 milhões ao ano em atualização tecnológica.Os produtos da área de não-tecido têm conquistado espaço no setor têxtil, com taxas de crescimento da ordem de 10% ao ano no Brasil e no mundo.?O não-tecido é um negócio que cresce muito e tem alta rentabilidade. A entrada dos novos donos será muito interessante para o setor. A empresa vai passar por um novo ciclo de investimentos?, diz Coelho.Os donos da Previdência, Milan e Ana Starostik, imigrantes da antiga Tchecoslováquia, decidiram vender a empresa no ano passado, quando o único filho do casal morreu. William, o herdeiro, era executivo no Grupo Providência. Tanto Milan, 80 anos, quanto Ana, 78 anos, ainda trabalham na empresa que eles fundaram em 1963.

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