Economia chinesa volta a preocupar os mercados

As medidas que vêm sendo tomadas pelas autoridades chinesas para conter o forte crescimento econômico, como a elevação em 0,5 ponto porcentual do compulsório para os bancos comerciais, serão suficientes ou o gigante asiático corre o risco de um hard landing, ou pouso forçado? O tema, que havia sido relegado a um segundo plano na agenda dos mercados internacionais diante da atenção dedicada aos juros norte-americanos, voltou a ganhar relevância. Stephen Roach, economista-chefe do banco Morgan Stanley, está preocupado com o vigor do crescimento chinês, que segundo ele corre o perigo de ficar fora de controle. "Infelizmente, sem contarem com um arsenal de políticas eficientes e de um sistema mais baseado no mercado, é muito difícil para as autoridades chinesas moderar os excessos do boom", disse Roach. Segundo ele, o aumento do compulsório não deverá fazer muita diferença. "O risco é que o quanto mais longo seja o boom econômico, mais difícil será para evitar um desfecho mais traiçoeiro", disse. Roach observa que o dado mais impressionante da atividade econômica chinesa não foi o aumento de 11,3% do PIB no segundo trimestre de 2006 em relação ao mesmo período no ano anterior, mas sim o salto de 19,5% na produção industrial em junho. A expansão continua concentrada em dois setores - investimentos fixos e exportações - que abocanham hoje 80% do PIB. "Isso não é uma situação sustentável para qualquer economia", disse Roach. Segundo ele, o "modelo de crescimento desequilibrado da China atingiu agora um excesso". Entretanto, o analista não concorda com aqueles que prevêem um colapso da economia chinesa. "Em muitas ocasiões no passado, a China mostrou uma capacidade notável de resistir golpes externos, como na crise asiática em 1997-98 e a recessão global de 2000-01", disse Roach. Mas, segundo ele, a necessidade das autoridades chineses "agirem decisivamente se tornou mais urgente." Já o analista Ben Simpfendorfer, do Royal Bank of Scotland, tem uma avaliação mais positiva e elogiou elevação do compulsório para os bancos. "Embora os riscos de um superaquecimento econômico sejam exagerados, o alargamento do superávit comercial está injetando liquidez excessiva no sistema financeiro", disse o analista. "O aumento do compulsório vai ajudar a reduzir a liquidez." Segundo ele, o Banco Popular da China (PBoC) tem realizado nos últimos meses um aperto monetário mais acentuado do que em ocasiões anteriores, como em 2004. "O banco claramente tem o apoio do Conselho de Estado", disse. "Estamos portanto confiantes de que ele irá conter com êxito o crescimento da liquidez".

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