Economia dos EUA caminha para recessão, diz Loyola

O ex-presidente do BC disse que, tecnicamente, ainda não há recessão e descarta um cenário de estagflação

Luciana Xavier e Lucinda Pinto,

22 de janeiro de 2008 | 15h54

A economia dos Estados Unidos caminha de fato para uma recessão, embora, tecnicamente, esse ainda não seja o cenário. A avaliação é do ex-presidente do Banco Central e sócio-diretor da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola. Segundo ele, o que se tem como certo é um quadro de desaceleração, que deve afetar dois ou três trimestres este ano. "O nível de atividade está baixo e não se sabe se vamos ter recessão. Existe muita incerteza", afirmou o ex-BC, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. - Ouça a entrevista com Gustavo Loyola Loyola descarta um cenário de estagflação nos EUA. "Havendo redução do nível de atividade, a inflação cai. Estagflação é muito pouco provável", disse. Segundo ele, os estímulos fiscais e de corte de juros não trazem risco para a inflação. "O estímulo fiscal virá num momento de retração da atividade. E há espaço para uma política fiscal mais expansionista", analisou.  O ex-presidente não compartilha da opinião de alguns analistas de que o Federal Reserve (Fed) deveria parar com os cortes de juros para evitar um impulso para a inflação. Segundo Loyola, deixar de agir agora daria a sensação de um Fed inativo e poderia piorar ainda mais as perspectivas para a economia. Ele fez, no entanto, a ressalva de que o Fed não precisaria manter o "viés baixista" por muito tempo, a exemplo do que fez Alan Greenspan, antecessor do presidente do Fed, Ben Bernanke.  Para Loyola, o mais provável é que o Fed corte os juros em 0,50 ponto porcentual em janeiro, para 3,75% ao ano. "Há espaço para talvez duas ou três quedas", afirmou. Ele também vê com bons olhos a possibilidade de um corte maior, de 0,75 pp. "Um overshooting na queda dos juros pode sim dar um estímulo ao mercado. Visto hoje, talvez fosse uma opção", disse.  Loyola disse ainda que a volatilidade nos mercados deve continuar enquanto houver incerteza dos mercados em relação ao tamanho da crise iniciada no mercado imobiliário e sobre a situação das instituições financeiras, cujas perdas até agora são gigantescas. "As más notícias estão sendo dadas a conta-gotas. Enquanto não passar a temporada de reconhecimento das perdas, o mercado vai ficar muito travado."  Brasil - O ex-presidente do Banco Central disse que uma recessão nos Estados Unidos teria impacto sobre os preços das commodities e isso teria um efeito contracionista na economia. Ele acredita, no entanto, que esse impacto seria limitado pelos bons fundamentos domésticos. "O contágio não vai ser forte porque o Brasil tem uma situação muito favorável e a crise não tem nada a ver com aspectos domésticos", observou.  Loyola disse a demanda doméstica por si só é um sinal de alerta para a política monetária. "Há sinais de sobreaquecimento de vários segmentos da economia. Isso já pode antecipar um aperto monetário ao longo de 2008. Os eventos externos podem jogar mais lenha nessa fogueira. Mas a pressão vai ser mitigada pelo comportamento (queda) das commodities", avaliou.

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