Ediouro passa a controlar 100% da editora Nova Fronteira

A Ediouro, uma das dez maiores editoras brasileiras, passou ontem a controlar 100% da Nova Fronteira, com a compra dos 50% do capital que estavam nas mãos de Carlos Augusto Lacerda - neto do fundador da editora, o escritor, jornalista e político Carlos Lacerda. O negócio foi efetivado com o depósito da primeira parcela, cujo valor não foi divulgado. O contrato foi assinado no dia 19, conta uma pessoa próxima às negociações. As empresas não se pronunciaram sobre a aquisição.A Ediouro já havia adquirido, em 2005, participação de 50% da Nova Fronteira que pertencia ao ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. A Ediouro, fundada em 1939 pela família Carneiro, vinha desde o ano passado tentando comprar os 50% restantes de Carlos Augusto Lacerda."O Carlos Augusto tinha opção de vender suas ações, mas ela venceu ano passado. Ele não tinha interesse em negociar, até por questões afetivas, por causa do seu avô. Mas a Ediouro voltou à carga com uma proposta irrecusável", afirma uma pessoa próxima às negociações, sem revelar valores.De acordo com essa fonte, o contrato estabelece que a marca Nova Fronteira permanecerá no mercado e será o carro-chefe do grupo no mercado editorial. Carlos Augusto se desligará do negócio, mas ficará com as obras de referência, como o dicionário Caldas Aulete e a gramática de Celso Cunha, nicho editorial importante. Em 2004, por exemplo, o Ministério da Educação investiu R$ 22 milhões para a compra de 3,3 milhões de dicionários."Vejo essa negociação como um movimento natural de consolidação do mercado editorial brasileiro, que busca aumentar sua competitividade", avalia a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Rosely Boschini. O movimento de fusões e aquisições do mercado editorial brasileiro teve lances decisivos em 2005, quando o grupo espanhol Prisa-Santillana comprou 75% da editora Objetiva por R$ 20 milhões. No ano passado, a própria Ediouro formou uma joint venture com a americana Thomas Nelson, especializada em publicações evangélicas. E aumentou sua carteira de selos com a compra da editora paulista Geração Editorial.Rosely diz que o plano de Carlos Augusto, a partir de agora, é abrir uma editora digital com as obras que herdou da Nova Fronteira.Juntas, as duas editoras passarão a contar com um catálogo de cerca de 5 mil títulos, sendo 3,5 mil da Ediouro e 1,5 mil da Nova Fronteira. Muito conhecida pelas revistas de passatempo, a Ediouro conta com consagrados autores brasileiros, como Ariano Suassuna. A Nova Fronteira, por sua vez, tem nomes como Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e João Ubaldo Ribeiro, além dos premiados com o Nobel de literatura Jean-Paul Sartre e Thomas Mann.

Agencia Estado,

23 de março de 2007 | 11h49

Mais conteúdo sobre:
empresas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.