Editoras recebem nova onda de investimentos estrangeiros

O mercado editorial brasileiro vive uma nova onda de negócios, com a chegada de grupos estrangeiros e aquisições de empresas. Dessa vez, os investimentos estão concentrados em nichos específicos, como a edição de livros religiosos e publicações técnicas e científicas. Esses segmentos movimentam R$ 650 milhões por ano no País.Em 2005, as editoras já haviam passado por uma onda de consolidação, mas entre editoras de livros de interesse geral. O negócio mais emblemático ocorreu há um ano, quando a Editora Objetiva foi vendida para o grupo espanhol Prisa-Santillana.Desta vez, os negócios são voltados para um público específico. Ainda este mês, a Ediouro, que comprou no ano passado 50% da Nova Fronteira, deverá assinar contrato com a Thomas Nelson, maior editora americana no segmento evangélico.As duas editoras vão montar uma nova empresa no País, a Thomas Nelson Brasil. Embora a Ediouro não confirme, a editora carioca terá 85% do negócio e a americana os 15% restantes, participação que poderá subir nos próximos anos.Há mais no prelo. A Editora Vida, que pertence ao grupo americano Zondervan, está sendo vendida para um grupo argentino. A Vida está sendo negociada como parte de uma estratégia internacional da Zondervan, que é da HarpperCollins, do grupo do magnata da mídia, Rupert Murdoch. A Zondervan está deixando negócios considerados pequenos para o grupo.Já a canadense Thomson Learing, especializada em livros técnicos e científicos, planeja investir US$ 50 milhões no Brasil nos próximos cinco anos. Parte do dinheiro será usada para comprar uma editora.Auto-ajudaO diretor-superintendente da Ediouro, Luiz Fernando Pedroso, conta que a nova empresa, em sociedade com a Thomas Nelson, será lançada em outubro, começando com livros de "inspiração e auto-ajuda".A Ediouro entrará com a estrutura de distribuição, vendas e conhecimento do mercado. Ganhará, em troca, o acesso a um novo nicho de mercado junto com uma empresa com tradição em temas religiosos. Já a Thomas Nelson terá acesso direto ao mercado brasileiro.No Brasil, a Editora Sextante, responsável pelo lançamento do Código Da Vinci, de Dan Brown, deve ser a principal concorrente afetada pela sociedade entre a Thomas Nelson e a Ediouro.A Sextante havia comprado o direito de publicar três títulos da Thomas Nelson, que ainda não chegaram ao mercado. A editora diz que ela continua com o direito de usar os títulos. Mas admite que os futuros lançamentos da Thomas Nelson no Brasil deverão ser feitos pela nova empresa.ReligiãoUm dos motivos do avanço dos livros religiosos é "o crescimento sem precedentes" da população evangélica, segundo o diretor da Associação de Editores Cristãos (Abec), Whaner Endo.Em 2006, o setor deve crescer 15% e faturar R$ 317,5 milhões. "O pessoal abriu os olhos para o mercado evangélico", diz Endo.Já o ramo de livros técnicos movimenta R$ 350 milhões ao ano. A Thomson Learning elegeu o Brasil, a China e a Índia como prioridades. "A população universitária no País cresce muito e há forte demanda por cursos profissionalizantes", diz o diretor-geral da empresa no Brasil, Aparecido Carvalho.Segundo o diretor-geral da editora Objetiva, Roberto Feith, o interesse das empresas estrangeiras mostra "a convicção que o consumo de informação e literatura crescerá no País enormemente nas próximas décadas".

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