Efeito do grau de investimento sobre ações é de longo prazo

A conquista do tão almejado "grau de investimento" por uma empresa pode não trazer uma reação imediata em suas ações, mas reserva ganhos certos para o futuro. Tanto os juros pagos em financiamentos quanto a recomendação de analistas melhoram quando a empresa é elevada por uma agência de classificação de risco. Ainda são poucas as empresas brasileiras classificadas hoje como grau de investimento pelas três principais agências mundiais - Moody's, Standard & Poor's (S&P) e Fitch. Mesmo porque para isso precisam superar a classificação do próprio País, já que o Brasil ainda caminha para essa aguardada posição. Mas o número cresceu nos últimos anos. A última companhia que conseguiu atingir esse nível foi a Usiminas, elevada pela Fitch em 5 de fevereiro. Petrobras e Vale do Rio Doce, as duas blue chips (empresas com ações de primeira linha) da Bolsa de Valores de São Paulo, são grau de investimento por mais de uma agência. A estatal de petróleo ganhou essa classificação da Moody's em 13 de outubro de 2005, para a dívida em moeda estrangeira. Já a S&P anunciou o grau de investimento também para débitos em moeda estrangeira em 18 de janeiro de 2007. A mineradora, que tem quase todas as suas vendas garantidas em moeda externa, conta com grau de investimento pelas três principais agências mundiais. Em ambos os casos, a reação dos papéis às elevações não foi significativa. Em geral, as ações simplesmente acompanharam as oscilações do Ibovespa, o principal índice da Bolsa paulista, nos mesmos dias. Isso ocorre pois, em parte, esses ativos são muito importantes para a Bolsa e acabam sendo a via de entrada e saída dos estrangeiros todos os dias, com pouca volatilidade em relação ao índice. Mas analistas também lembram que o tipo de impacto nos papéis nesses casos é mais demorado, pois depende de cálculos específicos e detalhados. A reação imediata a classificações de risco, apesar de difícil, não é impossível. Usiminas, por exemplo, disparou 3,9% no dia de sua mudança de patamar. No mesmo pregão, o Ibovespa subiu apenas 0,14%. De acordo com a Moody's, à medida em que a classificação de uma empresa melhora, menos ela paga em juros sobre os empréstimos contraídos. O chefe de análise da Ágora Corretora, Marco Melo, corrobora a percepção do mercado de que uma empresa de grau mais alto se diferencia das concorrentes quando decide contrair dívidas. Recentemente, a instituição decidiu estabelecer uma avaliação diferenciada de companhias, que engloba as classificações de risco das agências. A estrategista da Fator Corretora, Lika Takahashi, também diz que a recomendação para as ações não muda da noite para o dia. "Às vezes o efeito nem é tão grande, e não há mudança no preço-alvo dos papéis", comenta. Isso porque o reflexo da classificação será sentido sobre as novas captações de dívida, e não para as já existentes. "Mas, com certeza, a nova percepção de risco muda, o que diminui a taxa de desconto e é bom para todos, tanto empresa quanto investidor." Na Fitch, 13 empresas brasileiras possuem grau de investimento: Alcoa, Aracruz, CST Overseas, CSN, CST, Vale do Rio Doce, AmBev, Gerdau Açominas, Gerdau, Samarco, Usiminas, VCP e Votorantim Participações. Na Standard and Poor's são oito: Alcoa, AmBev, Aracruz, Vale, Embraer, Petrobras, VCP e Votorantim Participações. Na Moody's, apenas quatro empresas têm grau de investimento em moeda estrangeira, o mais cobiçado: Petrobras, Vale, Embraer e Aracruz. O Brasil ainda está dois degraus abaixo do grau de investimento.

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