Efeito Summers não evita queda de bolsas na Europa

Saída de Lawrence Summers da disputa pela presidência do Fed não freou venda de ações por investidores

Fernando Nakagawa, correspondente,

17 de setembro de 2013 | 07h53

A poucas horas do início da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), a palavra de ordem no mercado financeiro europeu é cautela. Mesmo diante da reação positiva vista na segunda-feira, 16, com o anúncio da saída de Lawrence Summers da disputa pela presidência do banco central dos Estados Unidos, investidores voltam a pisar no freio diante da reunião do Fed, que pode anunciar o início da retirada dos estímulos monetários à maior economia do mundo. Nem mesmo a forte melhora da confiança na economia alemã é capaz de diminuir a cautela no pregão e as principais bolsas da Europa operam em queda.

Na segunda-feira, 16, o mercado financeiro subiu em reação à decisão de Summers, um ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, de retirar sua candidatura para a presidência do Fed. Para analistas, Summers era um candidato que poderia retirar os estímulos monetários em ritmo mais acelerado que os demais nomes cogitados para substituir Ben Bernanke. Por isso, a desistência do ex-secretário do Tesouro trouxe alívio a muitos investidores.

Mesmo com esse alívio, a cautela prevalece porque começa mais tarde e termina na quarta-feira, 18, a reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Economistas apostam que, nesse encontro, o BC dos EUA deve anunciar a diminuição do ritmo da injeção de dinheiro no mercado. Para tentar ajudar a economia, o Fed compra atualmente US$ 85 bilhões em títulos de dívida que estão na mão dos bancos. Com essa operação, o BC injeta dinheiro na economia com o objetivo de tentar incentivar a atividade com a oferta de mais crédito via bancos.

Para boa parte dos analistas, esse programa deve começar a ser desmontado com a diminuição das compras mensais em cerca de US$ 10 bilhões. Mesmo com essa expectativa compartilhada por muitos agentes, há pouca certeza sobre como será a reação do mercado financeiro à diminuição da oferta de dinheiro fácil.

"O efeito positivo gerado por Summers desapareceu rapidamente. Muitos investidores parecem não ter muita certeza de que Janet Yellen (atual vice-presidente do Fed) vai ficar com o cargo de Ben Bernanke e algumas pessoas começam a afirmar até que o ex-presidente do Banco de Israel, Stanley Fisher, poderia estar na corrida", dizem os analistas da corretora IronFX em relatório aos clientes, ao comentar que a saída de Summers da disputa poderia adicionar alguma incerteza com relação ao perfil dos concorrentes.

Na Europa, o noticiário da manhã foi positivo. Na Alemanha, o índice de expectativa econômica medido pelo instituto ZEW subiu de 42 em agosto para 49,6 em setembro. O número superou largamente a expectativa do mercado que previa alta para 46. "O número atingiu o patamar mais elevado desde abril de 2010 e a pesquisa mostra que os entrevistados estão mais otimistas com as perspectivas para a economia alemã e também com o ritmo do restante da atividade na zona do euro. A pesquisa ZEW é um dos primeiros dados relativos ao mês de setembro. Esperamos ver uma melhora ampla em todos os indicadores do mês, incluindo o índice gerente de compras e o clima de negócios IFO", diz a economista do BNP Paribas Evelyn Herrmann.

Apesar da boa notícia vinda da Alemanha, números sobre o setor automobilístico mostram que os problemas persistem no continente. Levantamento da Associação das Montadoras Europeias (ACEA, na sigla em inglês) mostra que a venda de veículos caiu 5% em agosto na comparação com igual mês de 2012. De janeiro a agosto de 2013, o emplacamento de carros novos diminuiu 5,2% na comparação com igual período do ano passado, para 7,841 milhões de veículos. Esse é o pior período de oito meses já registrado pela entidade na série histórica iniciada em 1990.

Às 7h40 (pelo horário de Brasília), os principais mercados europeus operavam em queda à espera do Fed: Londres recuava 0,37%, Frankfurt cedia 0,21%, Paris registrava queda de 0,33% e Madri caía 0,63%. No mercado de moedas, o euro subia e era negociado a US$ 1,3361. O iene registrava ligeira queda e o dólar valia 99,11. A libra, por sua vez, operava praticamente estável, a US$ 1,5897.

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