Eike Batista negocia para 'bolivianizar' siderúrgica

O empresário Eike Batista quer "bolivianizar" a siderúrgica de US$ 65 milhões que construiu na Bolívia para convencer o governo local a aprovar o projeto. Batista foi expulso pelo presidente Evo Morales no início do ano, acusado de infringir as leis do país, que proíbem investimentos estrangeiros em áreas de fronteira. A idéia agora é driblar a restrição, transferindo parte do empreendimento para um parceiro local."Os bolivianos já indicaram a possibilidade de bolivianizar o projeto através de um empresário local", explicou Batista. Sua empresa foi a primeira a sentir os efeitos da nacionalização dos recursos naturais no país, ao ser oficialmente expulsa por Evo Morales. Na época, o governo reclamou do uso de matéria-prima importada do Brasil, em vez de recursos bolivianos e dos impactos ambientais que a obra causaria.O projeto faz parte de um complexo integrado de siderurgia binacional, que usará minério da mina da MMX, mineradora presidida por Batista, em Corumbá (MS). A usina boliviana foi projetada para consumir 600 mil toneladas de minério por ano para produzir 400 mil toneladas de ferro gusa. Uma usina de mesmo porte será instalada no entorno da capital sul-mato-grossense, que já recebeu licença ambiental. Na Bolívia, o licenciamento está sendo usado como moeda de troca pelo governo local.Batista afirmou, porém, que só ficará na Bolívia se tiver garantias de que poderá importar matéria-prima e que as regras, principalmente tributárias, não serão alteradas novamente. "Topamos ficar, mas só o tempo nos dará tranqüilidade."O projeto boliviano foi excluído da lista de ativos da MMX no início do ano, em face dos riscos de crise com o país vizinho. A direção da companhia estava preparando o portfólio que foi oferecido ao mercado em julho, quando a MMX abriu seu capital e temia que a situação boliviana contaminasse a operação. A usina brasileira, no entanto, foi transferida para a nova empresa, que captou R$ 1,118 bilhão com a venda de 32% das ações.Na primeira entrevista após a abertura de capital, Batista disse que a MMX deve anunciar, nas próximas semanas, os parceiros estratégicos que pretende atrair para seus projetos no Brasil, que têm investimentos estimados em US$ 3,6 bilhões. Ele negocia com oito companhias estrangeiras.

Agencia Estado,

20 de setembro de 2006 | 09h09

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