Eike Batista prepara oferta pública de ações da MMX Mineração

A "mini-Vale do Rio Doce" de Eike Batista, o empresário que foi impiedosamente expulso da Bolívia, chega ao mercado de capitais em julho. Falta pouco para a oferta pública de ações da MMX Mineração e Metálicos S.A., empresa que reunirá três empreendimentos de mineração e siderurgia distribuídos entre o Amapá, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Tudo para produzir minério, ferro-gusa e aço. O negócio é tido como o lance mais ambicioso de Eike, um empresário conhecido por sua ousadia. Para tornar viável o projeto, ele terá de convencer os investidores a bancar sua aposta bilionária. Eike não divulgou oficialmente quanto espera arrecadar com a venda de ações, mas informações que circulam no mercado indicam uma expectativa de levantar R$ 2 bilhões. Sexta-feira, ele estava em Nova York para apresentar seu plano a investidores, uma operação corriqueira nos Estados Unidos, onde "investidores qualificados" encaram aventuras de risco considerável. Um negócio incomum no Brasil, onde os investidores no mercado de capitais eram conhecidos, até agora, por serem mais comedidos. Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou a primeira versão do prospecto sobre o empreendimento. É por meio desse documento que o empresário tentará convencer investidores brasileiros e estrangeiros a entregar o dinheiro para transformar um negócio de papel noutro de ferro e aço. O prospecto é o retrato de um projeto grandioso e arriscado. Há 17 páginas de notas sobre o que pode dar errado. A introdução do documento avisa: "Temos um histórico operacional limitado e nosso desempenho futuro é incerto." Quais os riscos? As dificuldades vão da obtenção de licenças ambientais para a abertura das minas até a não comprovação das reservas de minério com viabilidade econômica. Fora operações modestas na mina de Corumbá e no Amapá, o que está sendo oferecido, segundo analistas, são sobretudo perspectivas de um negócio que pretende surfar na atual onda de mercado. "Quem entrar neste negócio terá de acreditar na manutenção da demanda e dos preços altos. O que Eike tem de efetivo são boas idéias", disse um analista.

Agencia Estado,

19 de junho de 2006 | 08h21

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