Eletrobrás procura bancos para vender distribuidoras de energia

Negociação da área de distribuição é pedido antigo de minoritários, que criticam a manutenção de subsidiárias deficitárias na estatal

Wellington Bahnemann, de O Estado de S. Paulo,

17 de maio de 2013 | 21h41

O Grupo Eletrobrás deu nesta semana o primeiro passo concreto para a venda, parcial ou integral, de seis distribuidoras federalizadas, todas nas regiões Norte e Nordeste. A empresa enviou cartas-convite a alguns bancos para a contratação da instituição financeira que auxiliará na modelagem de reorganização desses ativos.

Nesta sexta, em teleconferência para comentar o resultado financeiro do primeiro trimestre, o diretor de Relações com Investidores da Eletrobrás, Armando Casado, confirmou que o modelo de reestruturação ficará pronto até 30 de junho, como havia antecipado o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

Em paralelo ao trabalho de avaliação dos ativos, Casado disse que a companhia segue atuando no processo de renovação das concessões das distribuidoras, e nas ações para a melhoria da situação operacional e financeira dos ativos. Nesse contexto, citou como fato positivo a redução do prejuízo das empresas no primeiro trimestre de 2013 para R$ 91 milhões, abaixo da perda de R$ 197 milhões registrada no mesmo período do ano passado.

O processo efetivo de venda das concessionárias deve ter início no segundo semestre deste ano, coincidindo com a data revelada pela empresa quando divulgou o seu plano estratégico 2013-2017 ao final de março. Na ocasião, o comunicado da companhia ao mercado indicava que os estudos das alternativas para a reestruturação das distribuidoras seriam concluídos em 90 dias.

Operação deficitária. A venda da área de distribuição tem sido defendida abertamente por analistas e acionistas minoritários da estatal nos últimos anos diante dos recorrentes prejuízos registrados por esse negócio.

No ano passado, as seis distribuidoras federalizadas, localizadas nas regiões Norte e Nordeste, tiveram prejuízo de R$ 1,33 bilhão. Isso representou um crescimento 28,87% em relação ao prejuízo de R$ 1,032 bilhão apurado em 2011.

Os saldos negativos bilionários dessas operações são resultantes do elevado nível de inadimplência, das perdas comerciais e do baixo nível da qualidade do serviço prestado.

A resolução dos problemas tem consumido um grande volume de recursos da Eletrobrás, e, apesar dos investimentos, os resultados ainda não apareceram. Mais recentemente, a empresa lançou uma nova iniciativa para se reestruturar, o Projeto Energia+, que tem como principais metas a melhoria da performance operacional e financeira e da governança corporativa das seis distribuidoras.

A conta para alcançar esses objetivos, porém, será salgada. Até 2015, a Eletrobrás prevê investir até R$ 1,241 bilhão nas seis distribuidoras. A iniciativa conta com o suporte financeiro do Banco Mundial.

Com base nesse cenário, o presidente da Eletrobrás, José da Costa Carvalho Neto, comentou recentemente que a expectativa da empresa é que o negócio de distribuição volte a operar no azul a partir de 2015. Ou seja, a estatal ainda terá de suportar ao menos dois anos de prejuízos neste segmento, conforme expectativas da própria companhia.

 
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