Eliminação da dívida em dólar é positiva, diz secretário

O secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, disse há pouco ser vantajosa para o País a eliminação da dívida interna em câmbio, apesar de ela ter implicado em custos fiscais. "Ainda acho que do ponto de vista da classificação de risco, da solidez dos fundamentos, nós não termos uma dívida dolarizada é vantagem. É sempre possível olhar e calcular um custo, mas este custo, na verdade, é um seguro que a gente faz", disse Kawall ao lembrar que, em outros momentos de bonança econômica que ocorreram na história, o Brasil recorreu ao endividamento em dólar, mas quando a corrente mudou, o País "pagou um preço alto por isso". Kawall participa de reunião fechada com integrantes da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados para discutir a execução orçamentária deste ano. As declarações foram dadas ao chegar para o encontro. Kawall reiterou que as emissões de títulos prefixados e o alongamento da dívida interna neste mês não serão feitos a qualquer preço. Segundo ele, existe um consenso de que, depois da redução da vulnerabilidade da dívida interna à taxa de câmbio, o momento agora é de se reduzir a sensibilidade às oscilações às taxa de juros, movimento considerado por ele como necessário e desejável, mas que deve ser feito sempre com cautela. "Não faz sentido pagar qualquer preço por isso, porque é uma questão não de velocidade, mas sim de direção", disse Kawall. O secretário acrescentou que há momentos em que é possível que este processo seja feito de maneira mais acelerada, como nos três primeiros meses deste ano. Kawall lembrou que, por conta do que foi realizado, sobretudo no primeiro trimestre, o Tesouro está em uma posição "muito confortável" para dar continuidade a este trabalho nos próximos meses, ainda que haja mais volatilidade. O secretário ressaltou que o mercado de juros está tranqüilo, embora esteja sendo influenciado por fatores externos, como a alta no juro americano e o preço do petróleo pressionado, mas, por outro lado, opera com as notícias positivas à inflação. Além disso, Kawall afirmou que o mercado já assimilou a divulgação do cronograma de maio, que prevê, além da não colocação de LFT (título pós-fixado, atrelado à Selic), a oferta de títulos prefixados mais longos do que os ofertados anteriormente. O secretário lembrou também que, no caso de uma piora das condições de mercado, o Tesouro tem também um colchão de liquidez, que está na casa de R$ 200 bilhões, para enfrentar um aumento da volatilidade.

Agencia Estado,

03 de maio de 2006 | 10h35

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