Em dia de Copom, juros terminam quase estáveis

Com provável manutenção da Selic nos atuais 7,25%, ao ano, taxas futuras tiveram pouco espaço para movimentação

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

28 de novembro de 2012 | 16h48

No dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) faz sua última reunião do ano, com provável manutenção da Selic no patamar atual de 7,25%, as taxas futuras de juros terminaram muito perto da estabilidade. Tal comportamento ocorreu a despeito do avanço do dólar em relação ao real, uma vez que, segundo operadores, o mercado já se readequou aos recentes movimentos do câmbio. Além disso, as contínuas preocupações em relação ao abismo fiscal dos EUA ajudam a impedir qualquer avanço mais consistente das taxas.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa para janeiro de 2013 (586.465 contratos) estava em 7,11%, de 7,09% na véspera. Nesse patamar, o contrato segue precificando estabilidade da Selic até o fim deste ano. O giro um pouco maior do que a média vista nos últimos dias, segundo um profissional da área de renda fixa, deve-se "muito possivelmente ao movimento de zeragem de um grande player", uma vez que a chance de qualquer surpresa para o encontro de hoje é praticamente nula.

O DI para janeiro de 2014 (323.335 contratos) marcava máxima de 7,29%, ante 7,28% no ajuste. O juro com vencimento em janeiro de 2015 (86.540 contratos) indicava 7,88%, de 7,87% no ajuste. Na parte longa da curva, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 (133.785 contratos) estava na máxima de 8,70%, de 8,68% ontem. A taxa para janeiro de 2021 (2.350 contratos) projetava 9,36%, ante 9,34% no ajuste. "O discreto viés de alta pode ser explicado pela melhora externa, à tarde, e pela manutenção dos ganhos do dólar. Mas os investidores já se reposicionaram para este novo patamar de câmbio. Por isso, a reação das taxas lé tão discreta", afirmou um operador.

Enquanto isso, os poucos dados domésticos desta quarta-feira foram relegados ao segundo plano. A taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) recuou para 10,9% em outubro, de 11,3% em setembro, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada pela Fundação Seade e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No conjunto das sete regiões metropolitanas pesquisadas, a taxa de desemprego caiu de 10,9% para 10,5% no período.

O mercado também segue atento às discussões em torno das renovações das concessões das empresas de energia elétrica. Hoje, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, voltou a dizer que o prazo para assinatura dos contratos de prorrogação das concessões do setor elétrico está mantido em 4 de dezembro, a despeito do erro que foi identificado no cálculo da indenização de uma usina da Cesp. Ele também frisou que qualquer revisão nas indenizações será marginal.

No exterior, depois de um início negativo para os ativos mais arriscados, houve uma reversão à tarde. Esse movimento ocorreu logo depois que o presidente dos EUA, Barack Obama, se disse "pronto, disposto e capaz" de resolver os assuntos fiscais do país. Ele também afirmou que está fazendo sua parte para chegar a um acordo com o Congresso para evitar o chamado "abismo fiscal".

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